Recep Tayyip Erdogan deixa aviso aos curdos

Recep Tayyip Erdogan deixa aviso aos curdos
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De  João Paulo Godinho

Presidente turco diz que se os curdos não tiverem retirado da fronteira até ao final da suspensão da ofensiva, o país retoma as operações.

A Turquia deixou um novo aviso aos curdos. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, garantiu que as tropas estão prontas para retomar os ataques no final da suspensão da ofensiva na Síria, caso os curdos não tenham abandonado a zona junto à fronteira.

"Se funcionar, funciona. Se não, no minuto em que as 120 horas expirem, continuaremos onde estávamos e continuaremos a esmagar as cabeças dos terroristas", afirmou o chefe de Estado turco.

As imagens de uma coluna do Crescente Vermelho a distribuir ajuda humanitária em Ras Al Ain, no norte da Síria, marcam, por isso, um momento singular na tensão das últimas semanas na fronteira entre a Turquia e a Síria. No entanto, podem não se repetir tão cedo, após a morte de um soldado turco em Tal Abyad neste domingo devido a um ataque das forças curdas sírias.

"Um de nossos camaradas heróicos morreu (…) e outro foi ferido durante um ataque com armas pequenas e armamento leve”, divulgou o Ministério da Defesa da Turquia. O ataque teve lugar durante uma missão de reconhecimento e vigilância em Tal Abyad, cidade síria na província de Raqqa.

A situação pode colocar em risco a já frágil 'trégua' de cinco dias entre as duas partes, alcançada com a intervenção dos Estados Unidos da América.

No entanto, a suspensão da ofensiva turca não significou um cessar-fogo, já que curdos e Ancara trocam acusações mútuas de não respeitar o acordo. Com efeito, os curdos apontam o dedo aos turcos pela morte de 17 civis.

"O exército turco e seus mercenários não pararam os ataques, usando todo tipo de armas pesadas em Ras al-Ayn e áreas adjacentes com o objetivo de acabar com todos", afirmou Talaat Younis, um oficial curdo.

Entretanto, o presidente sírio, Bashar Al Assad, recebeu a delegação da Rússia para discutir a situação no norte do país. Paralelamente, o presidente russo, Vladimir Putin, deve também encontrar-se com o homólogo turco na terça-feira para tentar uma solução para o conflito.

Outras fontes • Reuters / Lusa / AFP

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