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Pedro Sánchez investido para liderar governo de coligação de esquerda

Pedro Sanchez (PSOE) e Pablo Iglesias (UP) no Parlamento espanhol
Pedro Sanchez (PSOE) e Pablo Iglesias (UP) no Parlamento espanhol   -  
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AP/ Manu Fernandez
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Pedro Sánchez é finalmente investido pelo Parlamento como chefe do governo de Espanha e vai poder formar o primeiro executivo de coligação desde que a atual democracia se instalou no país.

A proposta do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), em coligação com o Unidas Podemos (UP), de pablo Iglésias, conseguiu a maioria simples necessária na segunda votação realizada esta terça-feira.

Depois de ter ficado aquém da maioria absoluta entre os 350 deputados do hemiciclo espanhol, que era necessária na primeira votação, realizada no sábado, agora bastou a mesma votação de há três dias mais um voto favorável da deputada do UP que tinha estado ausente para desbloquear o impasse político em Espanha.

A coligação PSOE/UP somou desta feita 167 votos contra 166 e ainda beneficiou das mesmas 18 abstenções negociadas com partidos independentistas Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) e Euskal Herria (EH) Bildu, do País Basco, para alcançar a aprovação parlamentar.

O resultado põe fim a um longo impasse político em Espanha, onde só este ano os eleitores foram chamados às urnas duas vezes, mas a instabilidade pode não estar resolvida.

A investidura foi negociada com promessas de diálogo e concessões a pequenos partidos, nomeadamente aos dois independentistas que se abstiveram, mas o sucesso da governação irá estar também dependente do que esses acordos representarem no hemiciclo.

A julgar pela votação, foram apenas dois votos a desequilibrar a balança e isso pode não ser suficiente para segurar as propostas que o novo executivo irá apresentar a votação ao hemiciclo.

Para se ter uma ideia da diversidade de opinião no Parlamento espanhol, a investidura necesitou dos votos favoráveis de sete partidos, incluindo os que formam a coligação. A favor jogou ainda a abstenção de dois outros partidos, enquanto contra estiveram novas forças políticas.

Será preciso muita capacidade diálogo e flexibilidade da coligação para manter o contentamento de uma maioria simples na execução da governação.

Finalmente, investido!

Para o líder do PSOE é o regresso ao palácio La Moncloa, mas desta feita através de uma investidura parlamentar.

Em junho de 2018, Pedro Sanchez instalou-se na residência oficial do chefe de governo após a moção de censura que destituiu o antecessor, Mariano Rajoy, do Partido Popular (PP).

Em fevereiro de 2019, a ERC contribuiu para o chumbo do Orçamento de Estado proposto pelo executivo de Sanchez e o líder do PSOE viu-se obrigado a convocar eleições antecipadas para abril.

A chamada às urnas não resolveu o impasse e a nota de maior destaque foi a entrada em força do VOX, uma nova força política de extrema-direita, no hemiciclo parlamentar.

Sem acordo para formar um governo estável e apesar da saturação evidente entre o eleitorado, o sufrágio espanhol teve de ser repetido em novembro e desta feita com "fumo branco" a sair das conversações que se seguiram entre Sanchez e Iglesias.

O PSOE e UP foram, respetivamente, o primeiro e o quarto partidos mais votados. Mesmo com ligeiras perdas face ao escrutínio de abril, os dois ainda conseguem somar 155 deputados no hemiciclo.

A coligação precisa, por isso, de mais apoio para governar entre os 350 parlamentares que compõem o congresso espanhol tal como precisou agora para ser investida.

"Com o Governo da coligação Progressista, Espnha abre uma época para reivindicar o diálogo e a política útil. Um Governo para todas e todos que amplie direitos, restaure a convivência e defenda a justiça social", escreveu Pedro Sanchez nas redes sociais, garantindo que esta terça-feira, em Espanha, nasceu "uma era de moderação, progresso e esperança."

À mesma hora, o secretário-geral do UP também partilhou uma mensagem com um alvo bem definido: "o novo Governo vai defender as condições que tornam possível a liberdade de todos e de todas frernte a esta direita autoritria e retrógada".

"Porque não há liberdade se no se chega ao fim do mês", conclui Pablo Iglésias.

Do lado da maior força da oposição (88 deputados), o presidente do Partido Popular acusa Pedro Sanchez de concordado "em permanecer no governo" com o "custo de transboradr o sistema contitucional". "Não, porque não funciona, mas porque funciona e muito bem contra os parceiros que traíram sistematicamente", acrescentou.

"O PP, com uma oposição firme e responsável, não o permitirá", garantiu Pablo Casado.

O VOX, a atual terceira força política em Espanha, com 28 deputados, reagiu à investidura com mais um ataque à política migratória seguida nas últimas décadas pelos sucessivos governos.

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