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Central de carvão de Teruel transformada em parque solar a partir de julho

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Central de carvão de Teruel transformada em parque solar a partir de julho
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Numa altura em que alguns países da Europa resistem a abandonar a energia do carvão, Espanha está a acelerar a transição. Apenas três das 15 centrais do país vão continuar operacionais até 2022. Mas a transição para uma economia verde também está a levantar muitas preocupações junto dos trabalhadores: exigem uma transição socialmente justa.

Depois de 40 anos a aquecer milhares de casas espanholas, o fumo vai desaparecer destas chaminés a partir de julho deste ano. Esta é mais uma central de carvão que vai fechar. O correspondente da Euronews, Jaime Velázquez explica que "Espanha está a abandonar o carvão mais rápido que nunca. A produção elétrica que usa este mineral baixou de 15 para 5% em menos de um ano e deve desaparecer por completo antes de 2030. Mas em Teruel, a população não quer que a vida desapareça com o carvão e nesta central os trabalhadores acreditam que encontraram a solução."

A empresa Endesa tem mantido as caldeiras paradas uma vez que o que se gasta apenas para as acender não compensa: o elevado custo da tonelada de CO2 no mercado das emissões de carbono faz com que o carvão não seja rentável. Ignacio Montaner, diretor da Endesa para a região de Aragão, lembra que "se fizéssemos um inquérito, todos estariam de acordo em fechar a central de carvão. Mas nesta região, onde a central foi instalada há vários anos e onde tem sido o motor da economia, diriam que seria necessário ter um período de transição de forma a não deixar ao abandono os trabalhadores e as famílias da região."

Neste espaço chegaram a ser armazenadas três milhões de toneladas de carvão. Agora só há restos e em breve o parque deve ganhar uma nova vida. Ignacio Montaner acredita que "este é o fim de uma era mas felizmente haverá uma transição".

Integrado no processo justo de transição, a Endesa deve investir 1500 milhões de euros para construir o maior parque solar da Europa. Um projeto que conta com 4 mil postos de trabalho durante a instalação dos painéis solares e deve garantir 140 empregos quando a unidade estiver operacional.

A apenas quatro meses do fim definitivo da central a carvão, os trabalhadores queixam-se que o novo projeto ainda não está em marcha. Antonio Planas era mineiro até ter sido contratado para a trabalhar na central há 27 anos. Agora teme que a passagem para a energia ecológica não seja suficiente.

"Existe futuro para além do carvão, claro que existe. E os empregos? Alguns dos meus colegas. que têm 35, 40 anos, com filhos...vão ter de sair daqui. Não é justo", afirma Antonio.

Outros esperam que o novo parque solar seja um recomeço, é o caso de Nacho Blasco. "Com as minhas aptidões, depois de vários anos na manutenção e operações da central de carvão, acho que consigo trabalhar como supervisor no parque solar", acredita o funcionário da central de carvão.

Neste momento, estes trabalhadores têm apenas uma certeza: o carvão vai acabar. Teruel vai ter de esperar 5 anos para perceber se a transição funciona e servir de exemplo para dezenas de centrais de carvão na Europa, antes que a emergência climática se torne numa emergência social.