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Equador: Milhares de crianças estupradas no seio da família

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Equador: Milhares de crianças estupradas no seio da família
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Esta menina tem 13 anos, a idade mental de uma criança de seis e um filho nos braços.

Foi violada no seio família. E ainda que a família a tivesse apoiado a lei do Equador nunca lhe teria permitido fazer um aborto.

Foi enviada pelo sistema de justiça para o Lar Vale Feliz, na cidade de Santo Domingo de los Colorados. Foi só aqui que a sua deficiência intelectual foi descoberta. Nesta instituição aprende a cuidar do filho e, enquanto este dorme, vive a infância que lhe foi roubada.

"O Lar Valle Feliz tem uma estrutura tão familiar que também permite que a infância que de uma certa forma foi roubada pelos familiares das meninas possa ser recuperada", refere a diretor do Lar, Ewa Pilarska.

A menina foi violada pelo companheiro da avó que, quando a viu grávida, a escondeu e a deixou passar fome para que ela abortasse. A avó e o companheiro estão em fuga.

O Lar Valle Feliz, tem ao seu cuidado 44 crianças até aos 18 anos de idade num complexo de três hectares. A maioria vem de lares desfeitos, como refere a diretora: "A maioria das crianças vêm por ordem de um juiz e vem por maus tratos, negligência, abandono, por abuso sexual..."l

Segundo o ministério da Saúde do Equador, em 2018, 2.089 crianças entre 10 e 14 anos de idade deram à luz. o estupro em família é um segredo muito bem guardado no país.

O Lar Valle Feliz relançou em dezembro o "Berço da Vida", o mecanismo da janela secreta do século XIX, para que as mulheres deixem os bebés sem terem de dar explicações.

Quando um botão de alarme é premido, abre-se uma janela à prova de bala para revelar uma pequena cama de metal para receber o bebé. O acesso é fechado após 30 segundos. Dentro da cama, encontra-se uma carta com a seguinte mensagem: "Querida mãe, acabaste de deixar o teu bebé no Lar Valle Feliz. Nós o recebemos com muito carinho e asseguramos que ele será bem cuidado. Não sabemos o que aconteceu na tua vida para que tomes esta decisão e não a julgamos, vamos esperar por ti nos primeiros três meses para que possamos apoiar-te e dar-te o teu filho, se quiseres; caso não venhas, vamos iniciar o processo de declarar o teu bebé adotável para que possa ter uma nova família".