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Brasil: Regina Duarte deixa Secretaria da Cultura

Regina Duarte e Jair Bolsonaro
Regina Duarte e Jair Bolsonaro   -   Direitos de autor  MARCOS CORREA/AFP
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Menos de três meses depois de assumir funções, a atriz brasileira Regina Duarte deixou hoje o cargo de Secretária da Cultura do governo de Jair Bolsonaro.

"Regina Duarte relatou que sente falta da sua família, mas para que ela possa continuar a contribuir com o Governo e a cultura brasileira assumirá, em alguns dias, a Cinemateca em São Paulo. Nos próximos dias, durante a transição, será mostrado o trabalho já realizado nos últimos 60 dias", escreveu o chefe de Estado nas redes sociais.

Num vídeo partilhado ao lado da atriz, Bolsonaro negou qualquer problema com Regina Duarte, acusando a imprensa de tentar desestabilizar o executivo.

"Regina, todas as semanas tem um ou dois ministros que, segundo a mídia, estão a ser 'fritados'. O objetivo é sempre desestabilizar a gente e tentar colocar o Governo no chão. Não vão conseguir. Jamais faria isso com você", afirmou o Presidente.

Posteriormente, a agora ex-secretária afirmou que acabara de ganhar um "presente", que "é um sonho de qualquer pessoa de comunicação, de audiovisual, de cinema, de teatro".

"Um convite para fazer Cinemateca, que é um braço da Cultura, que funciona lá em São Paulo, e é um museu de toda a filmografia brasileira. Ficar ali secretariando o Governo, dentro da Cultura, na Cinemateca. Pode ter um presente melhor do que esse? Obrigada, Presidente", acrescentou a artista.

Bolsonaro disse que, apesar de estar "chateado" por Regina se afastar do "convívio de Brasília", deseja o bem da atriz, tendo em conta o seu "passado e o que representa" para o país.

Contudo, na semana passada, mais de 500 artistas brasileiros repudiaram publicamente as suas declarações concedidas numa entrevista à CNN Brasil, em que minimizou a tortura e a ditadura militar, quando foi interrogada sobre a necessidade de uma política de ajuda aos artistas durante a pandemia da covid-19.

Os artistas, incluindo Caetano Veloso e Chico Buarque, assinaram um manifesto defendendo a democracia, "a independência das instituições" e rejeitaram a "tortura" praticada durante o regime militar que governou o país de 1964 a 1985.

Criticada também por não ter emitido nenhuma nota de pesar em relação a várias personalidades da Cultura brasileira que morreram nas últimas semanas, Regina Duarte disse que não queria tornar a secretaria da Cultura num "obituário".