Recorde de 13 anos nos incêndios de junho da Amazónia

Access to the comments Comentários
De  Euronews  com Lusa
(Arquivo) Incêndio na região amazonica do Estado do Pará em Agosto de 2019
(Arquivo) Incêndio na região amazonica do Estado do Pará em Agosto de 2019   -   Direitos de autor  Leo Correa/AP Photo   -   Leo Correa

O Brasil registou 2.248 focos de incêndio na Amazónia em junho deste ano, a maior taxa registada para aquele mês desde 2007, informaram hoje fontes oficiais.

Dados recolhidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), órgão governamental que faz a monitorização da destruição da Amazónia no Brasil, indicaram uma subida de 19,57% nos focos de incêndios apenas em junho.

Entre maio e junho, nos dois primeiros meses da estação seca na maior floresta tropical do planeta, as imagens de satélite detetaram um total de 3.077 incêndios, 12,5% a mais do que nos mesmos meses do ano passado, segundo o INPE.

As organizações ambientais que atuam no país têm denunciado o aumento de incêndios florestais durante a estação seca na amazónia brasileira, que geralmente dura até setembro, após altas taxas de desflorestação atingirem a região no ano passado.

Numa nota publicada hoje em seu ‘site’, a Greenpeace frisou que mesmo com a deslocação de agentes do Exército brasileiro para a região, as queimadas na Amazónia registaram o maior número de focos de calor em junho, desde 2007.

A organização não-governamental mencionou que depois de muitas críticas o Governo liderado pelo Presidente Jair Bolsonaro autorizou o emprego das Forças Armadas na Amazónia, mas esta resposta tem sido ineficiente para solucionar o problema das queimadas.

“Enquanto isso, órgão ambientais [do Brasil] que atuam de forma estratégica, com experiência e apoiados na ciência, vêm sofrendo redução drástica de autonomia, pessoal e orçamento, impactando fortemente suas operações de fiscalização, fundamentais para o combate da desflorestação”, frisou a Greenpeace.

A ONG ambientalista destacou que operações do Exército brasileiro na Amazónia custam por mês cerca de 60 milhões de reais (9,9 milhões de euros), montante equivalente a quase 80% do orçamento anual de fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), órgão governamental voltado para a proteção ambiental no país.

Segundo Romulo Batista, especialista da Greenpeace, essas operações não obtiveram o resultado esperado e o bioma permanece em risco.

“Com o início da temporada seca e com o fogo batendo à porta, o quadro que vem se desenhando é catastrófico em muitos sentidos. Tanto pela quantidade de árvores que estão sendo tombadas por conta dos incêndios, o que pode levar à morte animais e colocar em risco uma riquíssima biodiversidade, como pelo agravamento da vulnerabilidade das populações da Amazónia à covid-19”, afirmou Batista.

Segundo um outro balanço preliminar do INPE, os alertas de desflorestação na Amazónia brasileira aumentaram 22% entre janeiro e maio.

Vários relatórios de organizações ambientais indicaram que, por trás da desflorestação e dos incêndios na Amazónia existem máfias compostas por pessoas que comercializam ilegalmente madeira, minerais e gado e ameaçam as comunidades indígenas que vivem na região.

Em 2019, houve um total de 89.178 incêndios que devastaram grandes áreas da floresta amazónica, 30% a mais do que no ano anterior.

Naquele ano, as imagens dos incêndios foram divulgadas pelo mundo e foram amplamente condenadas pela comunidade internacional e pela sociedade civil, que atribuíram o desastre ao discurso de Jair Bolsonaro, que defende a exploração dos recursos naturais em toda a Amazónia, incluindo reservas indígenas.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta, com cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados, e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).