EventsEventosPodcasts
Loader
Encontra-nos
PUBLICIDADE

Testemunhos da repressão policial na Bielorrússia

Testemunhos da repressão policial na Bielorrússia
Direitos de autor AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De  Anelise BorgesPatrícia Tavares
Publicado a
Partilhe esta notíciaComentários
Partilhe esta notíciaClose Button
Copiar/colar o link embed do vídeo:Copy to clipboardCopied

Familiares dos manifestantes pedem justiça.

PUBLICIDADE

Após as eleições, os bielorrussos testemunharam a repressão policial mais brutal na história recente do país: mais de 6 mil pessoas foram detidas por protestarem contra o governo e pelo menos 2 pessoas foram mortas. Anelise Borges conversou com a família de um dos manifestantes - que agora pede justiça.

As imagens da tortura a manifestantes bielorrussos estão no centro da cidade de Minsk, para todo o mundo ver.Uma exposição que ilustra a violência exercida pelo regime de Aleksander Lukashenko.

O mundo ficou em estado de choque com imagens vindas da pequena nação pós-soviética onde a polícia de choque usou gás lacrimogéneo, recorreu a bastões e, segundo relatos, até mesmo a munições verdadeiras contra as pessoas que contestavam a vitória eleitoral de Lukashenko. Pelo menos duas pessoas morreram durante a repressão policial.

Aleksandr Taraikovsky foi uma delas. Participou nos protestos de segunda-feira, 10 de agosto Segundo as autoridades, morreu quando um dispositivo que pretendia atirar à polícia explodiu nas suas mãos.

A antiga companheira viu o corpo e diz que não não havia nenhuma prova que possa apoiar a versão da polícia. “Não havia sinais de queimaduras nas mãos, no corpo ou na cabeça. Só conseguíamos ver os pontos. No peito, pareceu-me que tinha uma ferida com pontos e um grande hematoma", disse Alena Herman.

Alena diz que as autoridades demoraram dois dias para notificar a família da morte de Taraikovsky. No mesmo dia, foi lançado outro vídeo que retrata o exato momento da sua morte.

Ele estava desarmado. Dá para ver que ele estava com os braços levantados e dizia alguma coisa à polícia - parecia que ele dizia: olha para mim, atira, aqui estou eu, sozinho, desarmado, a andar na tua direção... Porque não atiraram nas pernas? Quem será o responsável pela sua morte?
Alena Herman
Ex-companheira de Alena Herman

As pessoas colocaram flores no local da morte de Taraikovsky e os carros que passavam buzinaram em jeito de homenagem. Muitos dizem que o local passou a ser um símbolo da dor vivida em todo o país.

O presidente Lukashenko diz que está a defender o país do caos. E, na segunda-feira, fez um desafio surpreendente aos manifestantes: disse que "não haverá novas eleições na Bielorrússia a não ser que seja morto."

Alena diz que já houve mortes suficientes no país e que o objetivo agora deve ser a reconstrução de uma Bielorrússia mais justa: "Ainda vejo a roupa dele coberta de sangue na minha cabeça, como ele se segurou e depois caiu. Quero que os responsáveis respondam na justiça”.

Partilhe esta notíciaComentários

Notícias relacionadas

Morreu cidadão lituano detido na Bielorrússia

Prisioneiro político bielorrusso morre por alegada falta de cuidados médicos

Lukashenko afirma que Putin não lhe disse nada sobre a guerra com a Ucrânia