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Adaptar-se ou morrer, o futuro do turismo de massas está em jogo

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A  praia de Lloret del Mar teve este ano menos afluência devido à pandemia
A praia de Lloret del Mar teve este ano menos afluência devido à pandemia   -   Direitos de autor  Josep LAGO / AFP
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A quebra acentuada do turismo estrangeiro tem sido transversal por toda a União Europeia devido à pandemia e na Península Ibérica, muito dependente dos visitantes estrangeiros durante o verão, o impacto foi acentuado.

Em Portugal, só no primeiro semestre do ano, as receitas do turismo caíram quase 55% face ao mesmo período de 2019. No Algarve, por exemplo, a ausência de visitantes britânicos fez-se sentir bastante até ao final de agosto, com espanhóis e franceses a amenizarem a quebra.

Em termos europeus, o Eurostat revelou esta quinta-feira que o turismo na União Europeia sofreu uma queda de 75% em junho face aos números de fevereiro, com as ondas de choque a embaterem com mais força (83,6%) nas agências de viagem e nos operadores.

O principal obstáculo ao turismo estrangeiro foi o encerramento de aeroportos. No segundo trimestre deste ano, período que coincidiu com as medidas mais restritivas para travar a pandemia, os terminais aéreos portugueses registaram uma quebra de mais de 97%, no movimento de passageiros. O que provocou fortes ondas de choque na hotelaria.

A "maré baixa" em Lloret del Mar

A Euronews esteve esta semana em Llloret del Mar, a norte de Barcelona, onde "a queda do turismo estrangeiro foi de 85% em julho face ao ano pasado", aponta a nossa correspondente, Laura Ruiz Trullols, que nos deixa um retrato do impato da pandemia nos destinos turísticos ibéricos mais dependentes do turismo.

O impacto da pandemia motivou o "ressurgimento de um debate" em Espanha: "Se os destinos turísticos como o de Lloret del Mar devem depender tanto do turismo de massas."

Tal como em diversos destinos turísticos portugueses, em Lloret del Mar a ocupação nos hotéis caiu a pique este verão e os operadores tiveram de ajustar as campanhas aos clientes disponíveis: os nacionais.

O diretor-geral da estância de férias Evenia Olympic, Francesc Melero, considerou que "o facto de os governos francês e inglês terem recomendado não viajar para a Catalunha durante as férias, em parte acabou por ajudar a ter mais clientes de proximidade que em anos anteriores."

Agora, tanto os governos como os especialistas olham para o turismo sustentável e o de proximidade como a chave do futuro para o setor.

"Se não existir uma mudança estrutural, quer dizer, consensual entre todos os atores implicados neste processo, as iniciativas individuais terão pouco êxito. O exemplo que nos deu Copenhaga é o de incorporar e reconhecer o turista como um residente temporal num determinado destino turístico", salienta Joan Miquel Gomis López, diretor do programa de Turismo na Universitat Oberta de Catalunya.

Desemprego agrava-se

Tal como sucedeu no Algarve ou em Lisboa com muitos estabelecimentos de diversão noturna, em Lloret del Mar muitos bares e discotecas nem abriram este verão devido às restrições impostas pela Covid-19.

Com mais de 80% dos habitantes deste destino balnear catalão a viver do turismo, o desemprego, teme-se, vai bater recordes.

O restaurante Can Bolet, onde os fogões nem arrefeceram devido sobretudo a clientes espanhóis, mas também alguns estrangeiros, deve ser uma das exceções.

Há empresários que tentam retirar benefícios do impacto da pandemia na cidade.

Jordi Sais, subdiretor do setor de Lloret, espera "a focalização num turismo mais familiar". "Contamos conseguir esta reconversão de uma forma mais rápida do que tínhamos planeado", acrescentou.

Proprietária de uma loja de "recuerdos", Rosario contou-nos ter tido a necessidade de "apostar noutro tipo de artigos como a bijuteria". "Já levo 29 anos aqui e resisto. Agora, vou aguentar-me e no próximo ano espero colher os frutos", desejou a dona da loja "Brodados".

Tal como aconteceu com Rosario em Llloret del Mar, seja no Algarve, em Lisboa ou em Santiago de Compostela, no turismo, nesta altura e com as perspetivas a curto e médio prazo, é tudo uma questão de adaptação ou morrer.