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Trump não desiste, segunda volta na Geórgia decide controlo do senado

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De  euronews com AP, Lusa
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Evan Vucci/Copyright 2020 The Associated Press
Evan Vucci/Copyright 2020 The Associated Press   -   Direitos de autor  Evan Vucci/Copyright 2020 The Associated Press
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Dois candidatos democratas e dois republicanos concorrem hoje aos dois lugares em aberto para o Senado dos Estados Unidos, numa segunda volta que é decisiva para saber quem controlará a câmara alta do Congresso.

As sondagens dizem que está tudo em aberto nas eleições da segunda volta para os dois lugares no Senado pelo estado da Geórgia, onde os democratas não elegem ninguém há mais de 20 anos.

Numa prova da importância política desta disputa, o Presidente eleito, Joe Biden, e o Presidente cessante, Donald Trump, deslocaram-se à capital da Geórgia, Atlanta, para comícios de apoio aos seus candidatos.

Se Jon Ossoff e Raphael Warnock - os candidatos democratas aos dois lugares no Senado pela Geórgia – conseguirem ambos uma vitória na terça-feira, os democratas passam a controlar a câmara alta do Congresso dos EUA, onde já controlam a Câmara de Representantes, dando maior margem à estratégia política do Presidente eleito, Joe Biden.

Mas basta que um dos dois candidatos republicanos, Kelly Loeffler e David Perdue, vença a corrida para que os conservadores mantenham o controlo do Senado, dificultando a vida ao futuro inquilino da Casa Branca.

Os democratas contam com o “efeito Biden”, para repetir o cenário que deu a vitória ao Presidente eleito neste estado do sul, apesar de Trump continuar a insistir que as eleições presidenciais foram “roubadas” pelos democratas e continuar a insistir em não admitir a derrota.

Os republicanos contam com a tradição de domínio dos conservadores e com a forte implantação do partido neste estado, acusando os candidatos democratas de terem uma agenda muito próxima da ala “socialista” do seu partido.

"Não sei porque é que ele ainda quer este emprego, ele não quer trabalhar", diz Trump sobre Biden

O Presidente dos Estados Unidos prometeu uma "luta dos diabos" para se manter no cargo, pedindo ao Congresso que não ratifique a votação do Colégio Eleitoral, que confirmou a vitória de Joe Biden.

As declarações foram feitas durante o comício na Geórgia para apoiar os candidatos republicanos ao Senado nas eleições. Durante o comício, Donald Trump dedicou a maior parte do discurso a queixar-se novamente do resultado das eleições presidenciais de 03 de novembro, que insiste ter ganho "por muito".

Horas antes, em Washington, tinha pressionado os legisladores republicanos a oporem-se formalmente à ratificação da vitória do democrata Joe Biden no Colégio Eleitoral, numa sessão conjunta do Congresso, agendada para quarta-feira.

A sessão, presidida pelo vice-Presidente norte-americano, Mike Pence, poderá arrastar-se pela noite dentro, apesar de ser esperado que o Congresso valide a votação do Colégio Eleitoral que deu a vitória a Biden.

"Espero que o nosso grande vice-Presidente seja bem sucedido. Ele é um grande homem. Claro que, se não conseguir, não vou gostar tanto dele", disse Trump, na Geórgia.

Os esforços para apoiar Trump no Congresso são liderados pelo senador Josh Hawley, do Missouri, e o lusodescendente Ted Cruz, do Texas, ambos potenciais candidatos à presidência em 2024, competindo pelo apoio dos eleitores do Presidente cessante.

A última esperança de Trump é a sessão conjunta no Congresso, na quarta-feira, de contagem dos votos eleitorais de Biden e a inerente confirmação dos resultados, o último passo da certificação do ato eleitoral que abre caminho à tomada de posse em 20 de janeiro.

Apesar de a estratégia estar votada ao fracasso, Trump conseguiu o apoio de uma dúzia de senadores republicanos e de uma centena de membros da Câmara dos Representantes.

No domingo, uma gravação obtida e divulgada pelo jornal Washington Post mostrou que Donald Trump pressionou a máxima autoridade eleitoral da Geórgia para manipular os resultados das eleições de novembro.

Na gravação, Trump pede ao secretário de Estado da Geórgia, Brad Raffensperger, a máxima autoridade eleitoral do estado, que "procure votos onde seja necessário para anular a vitória de Biden".

O Presidente eleito Joe Biden, que também se deslocou à Geórgia para apoiar os candidatos democratas, acusou Trump de "passar mais tempo a lamentar-se e a queixar-se" do que a trabalhar para combater a pandemia de covid-19.

"Não sei porque é que ele ainda quer este emprego, ele não quer trabalhar", acrescentou.

O Presidente dos Estados Unidos é escolhido por sufrágio universal indireto e o Colégio Eleitoral apoiou, em 14 dezembro, a vitória de Biden face a Trump.