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"Estado da União": Países Baixos renovam entusiasmo europeu

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De  Isabel Marques da Silva  & Stefan Grobe
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"Estado da União": Países Baixos renovam entusiasmo europeu
Direitos de autor  PIROSCHKA VAN DE WOUW/AFP

A campanha de vacinação contra a Covid-19 na União Europeia, lenta desde o início, sofreu novo golpe quando muitos países suspenderam temporariamente, ou limitaram a administração, da vacina da AstraZeneca após casos de possíveis efeitos colaterais graves, incluindo coágulos sanguíneos nalgumas pessoas inoculadas.

Mas a Agência Europeia dos Medicamentos acabaria por confirmar, na quinta-feira, que a vacina é "segura e eficaz" e que os casos de coágulos sanguíneos são efeitos secundários de pouca expressão face aos benefícios.

A semana ficou, também, marcada pelo resultado das eleições nos Países Baixos, que deu um quarto mandato ao primeiro-ministro, Mark Rutte. Neste programa analisamos qual será o impacto desse resultado na União Europeia com um entrevista a Jaap de Hoop Scheffer, professor da Universidade de Leiden, ex-secretário-geral da NATO e ex- ministro dos Negócios Estrangeiros dos Países Baixos.

Stefan Grobe/euronews: A vitória de Mark Rutte não foi uma grande surpresa, mas podemos dizer isso do forte resultado do parceiro de coligação, o partido liberal pró-europeu D66. A líder, Sigrid Kaag, disse, durante a campanha, que os Países Baixos "deveriam cooperar mais com a França e a Alemanha”. É essa a consequência lógica do Brexit para os neerlandeses?

Jaap de Hoop Scheffer/professor da Universidade de Leiden: É uma das consequências do Brexit. Os neerlandeses sempre tiveram uma orientação ocidental, transatlântica, mas devo acrescentar que, nos últimos dez a 15 anos, a Europa continental passou a estar em igual pé de importância com a visão transatlântica. Mas depois do Brexit, a França e a Alemanha deveriam ser para os Países Baixos - e nisso estou de concordo com Sigrid Kaag - o primeiro ponto de referência.

Stefan Grobe/euronews: Vamos ter um novo governo Rutte que suavizará a sua postura em relação à União Europeia, em vez de ser o líder do chamado grupo frugal?

Jaap de Hoop Scheffer/professor da Universidade de Leiden: Obviamente que teremos maior influência no governo por parte do partido D66, muito pró-europeu. O Volt, um novo partido pan-europeu, também ganhou três assentos no parlamento. Tal mostra que ser pouco claro sobre o papel que temos na Europa não é a forma de conseguir atrair mais eleitores.

Stefan Grobe/euronews: Comparado o maior país vizinho, a Alemanha, o resultado do partido dos verdes foi bastante lamentável. Porque é que isso aconteceu num país tão progressista e onde a política climática desempenha um papel tão importante?

Jaap de Hoop Scheffer/professor da Universidade de Leiden: Essa é uma pergunta que o partido dos verdes também terá de se colocar. Mas fiquei surpreendido com a grande quebra dos verdes. Talvez se tenham focado demasiado nas questões exclusivamente sobre o clima.

Stefan Grobe/euronews: Outro fenómeno interessante é a fragmentação na ala da extrema-direita. O populismo está agora na defensiva, como vemos noutras partes da Europa?

Jaap de Hoop Scheffer/professor da Universidade de Leiden: Tenho as minhas dúvidas. Se analisar como é que os partidos populistas estarão representados no parlamento, vê que ocuparão 25 a 30 lugares. Por um lado, pode dizer-se que não é muito, dados os resultados do VVD e do D66. Por outro lado, não é inconsistente, mas existe fragmentação.