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Talibãs anunciam governo interino com suspeito de terrorismo

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De  Francisco Marques  & Anelise Borges
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Abdul Ghani Baradar (ao centro) vai ser número dois do executivo
Abdul Ghani Baradar (ao centro) vai ser número dois do executivo   -   Direitos de autor  AP Photo/Alexander Zemlianichenko, Pool, File
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Os talibãs em Cabul anunciaram esta terça-feira a formação de um executivo interino para organizar o novo poder no Afeganistão e estabelecer as relações formais com governos estrangeiros dos quais o país depende.

Da lista de ministros anunciada há dois nomes muitos controversos, incluindo um suspeito de terrorismo procurado pelo FBI.

O conselho de ministros temporário inclui personalidades da elite talibã, que ganharam projeção na guerra de duas décadas contra a alegada invasão das tropas da coligação liderada pelos Estados Unidos.

À cabeça deste executivo temporário surge o mulá Hassan Akhund, que faz parte da lista de sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O nomeado para liderar o Ministério do Interior, Sirajuddin Haqqani, está, por sua vez, na lista de terroristas procurados pelo FBI, suspeito de ter ligações próximas à Al-Qaida.

O Departamento Federal de Investigação oferece uma recompensa de até $5 milhões (€,42 milhões) apenas por informações que levem à captura do atual líder da chamada "rede Haqqani".

O novo ministro interino do Interior do regime talibã no poder no Afeganistão é também suspeito de ter estado envolvido num atentado terrorista cometido em janeiro de 2008 num hotel de Cabul, em que morreram seis pessoas, incluindo um cidadão americano.

Sirajuddin Haqqani também pode ter estado envolvido, acrescenta o FBI, na coordenação e execução de ataques contra as forças militares americanas e da respetiva coligação no Afeganistão, assim como pode estar imlicado na tentativa de assassinato do antigo presidente afegão Hamid Karzai, também em 2008.

"Haqqani é um terrorista global especialmente designado", resume o FBI, na ficha do suspeito.

O conselho de ministros anunciado

Ao lado de Hassan Akhund, surge como número dois o mulá Abdul Ghani Baradar, que chegou a ser apontado como o eventual chefe do novo governo e afinal será um dos principais adjuntos do primeiro-ministro.

Baradar foi o líder das negociações talibãs para a retirada dos Estados Unidos do Afeganistão e foi o responsável pela assinatura do movimento no acordo com a Administração Trump, que decretou a saída militar dos americanos.

Amir Khan Muttaqi foi nomeado como ministro dos Negócios Estrangeiros, tendo como adjunto Abas Stanikazi; o mulá Yaqoob, eleito chefe das forças armadas talibãs em 2020, será o titular interino da Defesa; e o já referido Sirajuddin Haqqani assume o Ministério do Interior.

Não há indicação de haver membros deste novo executivo que não sejam integrantes do movimento talibã. Sem surpresa, não há mulheres no executivo.

A enviada especial da Euronews a Cabul, Anelise Borges, teve acesso à lista do novo executivo e conta-nos que "não vão ser dadas a mulheres lugares de topo na nova administração afegã nem foi revelada qualquer previsão para quando será anunciado um governo definitivo" em Cabul.

A comunidade internacional tinha apelado à formação de um governo inclusivo e abrangente da sociedade afegã, mas o movimento terá preferido aproximar as diversas fações internas para um executivo meramente talibã, com o único objetivo, para já, garantiu o porta voz Zabihullah Mujahid, de manter o país a andar.

Quem é Hassan Akhund?

Natural de Kandahar, o berço dos talibãs, Hassan Akhund foi ministro do governo no Afeganistão antes da entrada dos Estados Unidos no país, em 2001, e é apontado como sendo pessoa próxima do líder espiritual do movimento, o "sheik" Hibatullah Akhudzada.

O agora nomeado chefe de Governo liderou por 20 anos o "Rehabi Shura", o alto conselho decisor do movimento talibã, é descrito como um clérigo de mão pesada e, embora seja apontado mais como religioso do que militar, terá sido um dos fundadores do braço armado do movimento

Outras fontes • AP, AFP