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Festa e surpresa nos meios literários franceses

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De  Teresa Bizarro  com Agências
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Festa e surpresa nos meios literários franceses
Direitos de autor  BERTRAND GUAY/AFP or licensors

Surpresa no Prémio Goncourt de 2021. O senegalês Mohamed Mbougar Sarr é o primeiro escritor da África subsariana a ganhar a distinção. É também um dos mais jovens autores de sempre a receber este que é um importante prémio literário da francofonia. "A mais secreta memória dos homens" é a terceira obra de Sarr. Foi publicada em agosto por duas pequenas editoras - a francesa Philippe Rey e a senegalesa Jimsaan. A primeira edição teve apenas 5 mil exemplares, mas já vendeu entretanto mais de 30 mil cópias e tem uma longa lista de pedidos de tradução e para adaptações cinematográficas.

O escritor considera que com este prémio a "Academia Goncourt envia um sinal fortíssimo a muita gente. Primeiro de tudo ao mundo literário francês, claro, mas também a todos os mundos literários do mundo francófono".

Um cheque de dez euros e uma projeção ímpar

O anúncio do vencedor foi feito em Paris, no restaurante Drouot, onde o júri de escritores e intelectuais se reúne há mais de cem anos e aí entrega ao vencedor um cheque simbólico de apenas dez euros, que garante no entanto a venda de centenas de milhares de exemplares.

O vencedor anterior, o livro de Hervé Le Tellier "A Anomalia", publicado em Portugal pela Editorial Presença, vendeu um milhão de exemplares só em França.

Após o anúncio da decisão, os especialistas alertaram para as dificuldades que uma pequena editora como a Philippe Rey poderá agora enfrentar para alimentar o mercado, sobretudo no meio de uma crise de fornecimento de papel e quando demora mesmo semanas para as gráficas conseguirem reimprimir.

Prémio da crítica para a Bélgica

Pouco depois de ser anunciado o prémio Goncourt, foi conhecida a vencedora do prémio Renaudot. "Primeiro Sangue", de Amélie Nothomb, ganhou o reconhecimento da crítica.

A primeira terça-feira de novembro é tradicionalmente rica ara os meios literários franceses desde 1926, ano em que foi criado o prémio Renaudot. Tradicionalmente apresentado como complementar ao prémio Goncourt é atríbuído no mesmo dia e sempre a escritores diferentes.

Nothomb tem estado nos finalistas tanto para o Goncourt como para o Renaudot há vários anos. Ganha desta vez com uma obra muito pessoal. No livro fala da morte do seu pai nos primeiros dias do confinamento, em 2020. Em apenas dois meses, vendeu mais de 230.000 exemplares.