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Literatura dá "sinal forte" sobre a sociedade

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Mohamed Mbougar Sarr
Mohamed Mbougar Sarr   -   Direitos de autor  JOEL SAGET/AFP or licensors
De  Teresa Bizarro  & Frédéric Ponsard

Estamos em 2021 e pela primeira vez em 118 anos de Prémio Goncourt, o vencedor vem da África subsariana - precisamente a região do mundo onde vivem mais de 40 por cento dos francófonos. O senegalês Mohamed Mbougar Sarr recebeu com um sorriso a maior distinção da literatura em francês.

A estória do livro "La plus secrète mémoire des hommes" ("A memória mais secreta dos homens") já fez história. O escritor sublinha a forma positiva "como o continente africano e as diásporas receberam o anúncio do prémio".

"Tenho recebido muitas mensagens de gratidão, felicitação e alegria. Muitos testemunhos que me tocam. Ter recebido um prémio desta magnitude enche-me, não de responsabilidades, mas talvez de um certo simbolismo," afirma Sarr.

A atribuição do prémio veio reavivar o debate sobre o mundo francófono, com raízes coloniais em muitos casos mal assimiladas e interpretadas. O autor prefere distanciar-se da polémica e diz que a distinção põe de novo a França no papel universalista.

"Este é um sinal forte. Obviamente, é antes de mais literatura - insisto nisso: é um romance e é preciso lê-lo primeiro -, mas também pode ser uma forma de mostrar que a França é por vezes muito maior e mais nobre; muito mais aberta do que aquilo a que podemos ou por vezes queremos reduzi-la. E é isto mesmo que está presente nesta sociedade; esta sociedade é também extremamente mista, conflituosa, com muitas tendências radicais expressas, mas também com uma tradição de diversidade, abertura, acolhimento - isso deve ser dito," afirmou o escritor senegalês de 31 anos em entrevista à Euronews.

O livro de Mbougar Sarr vai ser agora traduzido para várias línguas, incluindo o português. Há já também um pedido para adaptação do romance ao cinema.

Ano de ouro para a literatura de autores africanos

A vitória de Mohamed Mbougar Sarr foi anunciada no mesmo dia em que se soube que o sul-africano Damon Galgut, com o livro "The Promise" ("A Promessa"), tinha ganho o Booker Prize 2021.

Já o International Booker Prize tinha sido entregue ao franco-senegalês David Diop, com "At Night All Blood is Black" ("À Noite Todo o Sangue é Negro") .

O autor tanzanano-britânico Abdulrazak Gurnah ganhou o Prémio Nobel da Literatura e o senegalês Boubacar Boris Diop venceu o Prémio Internacional de Literatura de Neustadt.

Em Portugal, a escritora moçambicana Paulina Chiziane foi escolhida para receber o Prémio Camões 2021 e, na Alemanha, Tsitsi Dangarembga, do Zimbabué, foi distinguido com o Prémio da Paz 2021 atribuído pela Associação do Comércio do Livro Alemão.