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Gouveia e Melo recebe Prémio de Bioética

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De  Teresa Bizarro  com Lusa
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Gouveia e Melo recebeu no Porto o Prémio atribuído pela Associação Nacional de Bioética
Gouveia e Melo recebeu no Porto o Prémio atribuído pela Associação Nacional de Bioética   -   Direitos de autor  RTP via EBU

Henrique Gouveia e Melo não se importa com os holofotes, mas admite que ainda não está habituado ao reconhecimento público. O coordenador da equipa que geriu o processo de vacinação contra a Covid-19 em Portugal recebeu esta segunda-feira o Prémio Nacional de Bioética e emocionou-se.

"Tenho um filho que é médico, o meu filho mais velho, e lembro-me de toda a minha família estar em confinamento excepto nós os dois e ele disse-me:"Pai, nós vamos ter oportunidade de combater os dois na mesma guerra," confessou o vice-almirante com a voz embargada perante uma plateia de mais de uma centena de pessoas que assistiu à cerimónia no auditório da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Na justificação do prémio, o presidente da Associação Nacional de Bioética destacou a integridade e o espírito de missão e de serviço de Gouveia e Melo.

Admite voltar à ribalta "se o poder político pedir"

“Fui nomeado para uma missão e a missão era vacinar com a máxima extensão todos os portugueses com duas doses. Quando essa missão acabou, eu saí da ‘task force’ e ela foi extinta, depois, haverá outras missões e organizações para fazer, mas a nossa missão acabou”, observou em declarações aos jornalistas à margem da cerimónia.

Já quanto a um eventual regresso da task force e, consequentemente, coordenação do processo de vacinação, Gouveia e Melo afirmou que "enquanto vestir o uniforme" manda o poder político democraticamente eleito.

"Se o poder político me pedir ou exigi que eu desempenhe uma outra missão, só tenho de fazer sentido e desempenhar essa missão, é isso a condição militar", avançou, acrescentando que a condição militar "não é só coisas boas".

"A condição militar não é só coisas boas, também tem coisas boas e menos boas, uma delas é obediência absoluta ao poder democraticamente eleito”, considerou.

Gouveia e Melo esclareceu ainda, a propósito de uma afirmação feita durante a Web Summit sobre as razões do sucesso da sua missão, que à semelhança dos militares, os políticos têm “tudo”, mas que ao dirigir um processo da dimensão do da vacinação contra a covid-19 o levam “para dentro do espaço e combate político”.

“O facto de a pessoa que coordena o processo não estar no espaço político faz com que as críticas se foquem só no processo e não em coisas lateiras que podiam desfocar o processo”, mencionou.

O vice-almirante é agora o Adjunto para o Planeamento e Coordenação do Estado-Maior General das Forças Armadas de Portugal. Recebeu o Prémio Nacional de Bioética, distinção atribuída desde 2007 pela Associação Nacional de Bioética, pelas funções desempenhadas e qualidades de planeamento demonstradas.

Outras fontes • RTP