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Advogados de rua italianos ajudam sem-abrigo

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De  Luca Palamara
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Sem-abrigo em Roma
Sem-abrigo em Roma   -   Direitos de autor  TIZIANA FABI/AFP

É talvez o mais abrangente escritório de advogados em Itália. Mas será também o menos rentável. Trata-se de uma associação de profissionais que oferecem aconselhamento jurídico gratuito aos sem-abrigo e àqueles que não podem exercer os seus direitos por não terem residência. Fomos conhecer estes advogados de rua em Nápoles.

"Estabelecemos um protocolo com a Câmara Municipal e com os serviços sociais para ajudar os sem-abrigo a ter uma residência virtual, chamada de 'residência de proximidade' aqui em Nápoles, que possui o mesmo valor das residências habituais. Na realidade, é virtual, porque as pessoas não vivem realmente lá, mas desta forma têm acesso aos serviços de saúde, registos eleitorais e cartões de identificação", explica Francesco Priore, um dos advogados.

No passado, vi o meu pai a sofrer algumas injustiças e disse a mim próprio que um dia ele não teria de passar por certas coisas, porque eu estaria lá para o defender.
Francesco Priore
Advogado de rua

Os casos com que se deparam oscilam quase sempre entre condições de extrema vulnerabilidade e o fenómeno da marginalidade social. Ernestina Servo, da Cooperativa Dedalus, afirma que pode ir "do desemprego a problemas de saúde mental, questões sociais mais gerais, como o fracasso dos processos de migração de familiares e, portanto, o contexto vai resvalando para uma situação de pobreza".

Luciano Febbraro vive na rua e necessita de aconselhamento jurídico para obter os papéis para a tão esperada mudança de sexo.

"Temos de tratar da papelada para o meu cartão do cidadão e para arranjar uma residência. Só depois é que vou poder falar com outras pessoas para mudar o que sou, porque não me sinto bem assim", conta Luciano.

"A minha escolha foi fruto de uma experiência pessoal. No passado, vi o meu pai a sofrer algumas injustiças e disse a mim próprio que um dia o meu pai não teria de passar por certas coisas, porque eu estaria lá para o defender", diz Francesco Priore.

Com cerca de 3 mil processos por ano em todo o país, o grande retorno que estes advogados de rua dizem ter é conseguir resgatar parte destas pessoas da invisibilidade social em que vivem.