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"Guerra fria versão 2.1" com conversa de paz prevista para Genebra

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De  Francisco Marques
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Joe Biden e Vladimir Putin esgrimem argumentos devido à NATO
Joe Biden e Vladimir Putin esgrimem argumentos devido à NATO   -   Direitos de autor  AP Photo/Patrick Semansky///Alexander Zemlianichenko

A "guerra fria versão 2.1" mantém-se tensa devido à situação militar na fronteira leste da Ucrânia, mas pode acalmar se as negociações previstas entre Rússia e Estados Unidos no arranque de 2022 chegarem a bom porto.

Após as exigências de Vladimir Putin de não haver uma extensão da NATO para leste, nomeadamente através da adesão da Ucrânia à Aliança do Tratado do Atlântico Norte, os Estados Unidos admitiram iniciar negociações com a Rússia em janeiro.

Apesar da aproximação diplomática entre a Casa Branca e o Kremlin, a tensão não parece abrandar e ao mesmo tempo que há relatos de novas violações do cessar fogo em vigor no conflito separatista no leste da Ucrânia, a União Europeia (UE) e a NATO reiteraram o apoio ao governo de Kiev perante o reforço militar russo junto à fronteira.

Após conversa com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, o chefe da diplomacia da UE disse que "a Rússia precisa de recuar e de implementar completamente os acordos de Minsk".

"A União Europeia mantém-se comprometida ao direito de cada país de fazer as suas escolhas soberanas em termos de política externa e de segurança", afirmou Josep Borrell, numa mensagem também partilhada pelas redes sociais.

No habitual maratona de respostas à comunicação social, nesta altura do ano, o presidente da Rússia revelou ter "pedido diretamente" à NATO "para que não houvesse novo avanço para leste".

"A bola está no campo deles. Esperamos uma resposta. Neste particular, gostaria de sublinhar que de uma forma geral temos sentido uma reação positiva. Os nossos parceiros americanos dizem-nos estar prontos para começar esta negociação no início do ano em Genebra", afirmou Putin.

Da Casa Branca saiu uma reação às palavras do Presidente da Federação russa. A porta-voz Jennifer Psaki sublinhou a NATO como uma aliança de defesa e devolveu à Rússia as acusações de agressão.

A única agressão visível na fronteira da Rússia com a Ucrânia é a mobilização militar russa e a retórica belicosa do líder russo.
Jennifer Psaki
Porta-voz da Casa Branca

Psaki confirmou ainda que a Casa Branca está a trabalhar "no sentido de haver conversas diplomáticas" e admitiu terem sido recebidas "algumas propostas da Rússia".

"Com algumas concordamos. Com outras, não. Obviamente, a que toca à NATO é um bom exemplo. Estamos a trabalhar para definir como irão decorrer essas conversas", referiu a porta-voz do Governo norte-americano, sem adiantar datas previstas nem o local, que Putin disse ser Genebra.

A alegada expansão da aliança do Atlântico norte para leste, com a eventual adesão da Ucrânia, é vista no Kremlin como a principal causa da atual tensão naquela região e Mikhail Gorbachev, numa entrevista à agência Ria Novosti por ocasião do aniversário do fim da URSS, manifestou apoio a Putin.

O último líder soviético critica "a arrogância" americana e acusa o ocidente de querer "construir um novo império" através da aliança militar transatlântica.

Para a NATO, o problema está sobretudo na pressão russa sobre a Ucrânia, expressa no apoio militar aos separatistas, na anexação da Crimeia em 2014 e na atual mobilização militar junto à fronteira ucraniana, que já levantou inclusive receios de invasão na Ucrânia e até noutros países daquela região como a Lituânia e até a Polónia.

Outras fontes • AP, AFP, TASS