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Os ucranianos de Kherson que se recusam a partir

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De  Anelise Borges  & Euronews
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Edifício destruído na região da cidade de Kherson, Ucrânia. -
Edifício destruído na região da cidade de Kherson, Ucrânia. -   -   Direitos de autor  Euronews

A luta pelo controlo da cidade de Kherson é o foco da ofensiva russa no sul da Ucrânia e os confrontos nas povoações vizinhas deixam, atrás de si, um rasto de destruição.

Na estrada para a Crimeia, território que a Ucrânia perdeu em 2014, os moradores na povoação de Sevchenkove mostram-se decididos a ficar, tanto para defender as suas casas como para defender a sua terra. O seu desespero é arrasador.

O que posso dizer é que construímos as nossas casas pouco a pouco, com as nossas próprias mãos. Deixar tudo é muito difícil para nós, muito difícil. Não queremos esta guerra, queremos a paz.
Svetlana, residente de Sevchenkove, Ucrânia

Continuamos rapidamente o nosso precurso porque, segundo as tropas, os bombardeamentos são constantes e indiscriminados.

Um soldado ucraniano chama-nos a atenção para o edifício de uma escola local, bombardeado no início do conflito.

Perguntámos-lhe que tipo de armas estão a ser utilizadas pelas forças russas.

Estão a usar bombas de fragmentação, artilharia, minas, tanques, espingardas, tudo o que têm. E atiram ao acaso, não têm um alvo específico determinado.
Oleksiy Mishchenko, regimento de comandos do sul da Ucrânia

As ditas armas de fragmentação são proíbidas por um tratado internacional que remonta a 2008 .

Mais adiante no caminho, encontramos um grupo de moradores reunido para receber assistência em bens alimentares, o seu único meio atual de subsistência.

Distribuímos alimentos com frequência: massas, sanduíches e outros. Estivémos cá no dia 4 e no dia 16 de maio.
Andriy, capelania da região de Mykolaiv

Para ajudar a população local, Andriy arrisca a sua própria vida e, para prová-lo, mostra o buraco feito por uma bala no seu automóvel, na semana passada, durante uma operação local de evacuação de civis.

A fila no banco alimentar aumenta mas as explosões começam novamente a ouvir-se e temos que continuar o nosso percurso, deixando para trás aqueles que escolheram ficar.

Outra residente, Liubna, recusa-se a abandonar a sua casa.

Somos um povo confiante e teimoso e vamos esperar até derrotá-los. Esta é a minha casa, não lhes vou dá-la.
Liubna, residente de Sevchenkove, Ucrânia

Juntamente com o marido, Leonid, têm passado todas as noites na escuridão da sua cave sem luz, onde guardam os legumes que colhem do seu quintal. As noites são frias mas, pelos menos, estão seguros e estão na sua casa.