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Rússia ataca porto de Odessa menos de 24 horas após comprometer-se a não o fazer

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De  Francisco Marques
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Imagem de um outro ataque russo a Odessa há cerca de uma semana
Imagem de um outro ataque russo a Odessa há cerca de uma semana   -   Direitos de autor  OLEKSANDR GIMANOV/AFP or licensors

Nem 24 horas tinham ainda passado da assinatura dos acordos para permitir a exportação de cereais ucranianos e o porto de Odessa, um dos principais nesse processo, foi atacado pela forças do Kremlin.

No 150° dia da invasão russa da Ucrânia, iniciada a 24 de fevereiro, faz este domingo cinco meses, o ato bélico russo, escassas horas após assinar um acordo com as Nações Unidas que o proibia, vem confirmar os receios de incumprimento por parte do Kremlin de quaisquer compromissos estabelecidos no âmbito da ofensiva no território ucraniano.

O Comando Operacional do Sul da Ucrânia referiu que dois mísseis cruzeiro "Kalibr" atingiram o porto onde são processados cereais para exportação e outros dois foram neutralizados pelas baterias antiaérea, o que foi motivo de aplausos para quem assistiu da praia ao contragolpe da defesa ucraniana.

Este ataque ao porto de Odessa vem confirmar os receios antecipados pelo Presidente ucraniano logo após a ratificação dos acordos na Turquia.

Volodymyr Zelenskyy afirmava ser "claro para todos que poderá haver provocações da parte da Rússia e tentativas para desacreditar os esforços ucranianos e internacionais", mas dizia ser "necessário confiar nas Nações Unidas".

"É responsabilidade da ONU e dos nossos parceiros internacionais garantir o cumprimentos dos acordos", dizia Zelenskyy. E esse cumprimento falhou cerca de 12 horas apenas após o ministro da Defesa da Rússia ter assinado um compromisso em como as zonas tidas como essenciais para a exportação de cereais no seriam atacadas.

Já este sábado, numa mensagem vídeo partilhada pela aplicação Telegram, o Presidente ucraniano reiterou que o ataque a Odessa "prova uma coisa: independentemente do que a Rússia diga ou prometa, vai ser encontrar formas de não o cumprir."

Apesar do ataque, as forças armadas ucranianas vão continuar "os preparativos técnicos para o lançamento das exportações de produtos agrícolas" dos respetivos portos, garantiu pelo Facebook o ministro das Infraestruturas, Alexander Kubrakov, o responsável pela assinatura ucraniana no acordo de Istambul com as Nações Unidas.

"Não confiamos na Rússia, mas confiamos nos nossos parceiros e aliados, razão pela qual a iniciativa sobre o transporte seguro de cereais e alimentos dos portos ucranianos foi assinada com a ONU e a Turquia. Não com a Rússia", sublinhou Kubrakov.

Reações internacionais

A União Europeia "condenou veementemente o disparo de mísseis contra o porto de Odessa".

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell Fontelles, considerou que "o ataque a um alvo crucial para a exportação de cereais um dia após a assinatura dos acordos de Istambul é particularmente repreensível.

(O ataque a Odessa) demonstra uma vez mais o total desrespeito da Rússia pelo direito e compromissos internacionais.
Josep Borrell Fontelles
Alto Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros

O secretário-geral da ONU, que mediou presencialmente na sexta-feira a assinatura dos acordos na Turquia, também condena "inequivocamente os alegados ataques russos no porto ucraniano de Odessa".

"A total implementação dos compromissos assinados pela Federação Russa, a Ucrânia e a Turquia é imperativo", afirmou António Guterres através de uma publicação nas redes sociais pela conta do porta-voz da ONU.

Do lado russo, as notícias deste sábado dão conta de bombardeamentos contra posições ucranianas na região do Donbass, nomeadamente nos territórios rebeldes sob controlo das milícias fiéis ao Kremlin; da destruição de drones ucranianos perto de Kherson; e da formação de um governo fiel ao Kremlin na região de Zaporíjia.

À margem do acordo de Istambul e ainda antes do ataque deste sábado a Odessa, os Estados Unidos da América anunciaram um pacote adicional de ajuda militar à Ucrânia no valor de 270 milhões de dólares (264 milhões de euros).

Do novo pacote fazem parte mais quatro dispositivos adicionais de lança foguetes de alta mobilidade, os agora famosos "HIMARS", e respetivas munições. O Departamento de Defesa norte-americano vai ainda enviar para a Ucrânia cerca de 580 veículos aéreos não tripulados (drones) da gama "Phoenix Ghost".

Outras fontes • Interfax, Tass, AFP, AP