Ramadão, um mês para promover a solidariedade e o voluntariado no Qatar

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Um desfile de moda para angariar fundos e promover jovens criadores; a ajuda às vítimas de desastres naturais; e a "Cozinha de Caridade" para quebrar o jejum dos mais necessitados. Tudo para conhecer em #Qatar365

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A solidariedade e o voluntariado são dois aspetos valorizados no Qatar. Um desfile de moda na ressaca do Mundial de Futebol e uma iniciativa durante este mês de Ramadão prestes a terminar confirmam essa valorização.

Apenas alguns dias após a final do Mundial, a Euronews esteve no Estádio 974, um dos utilizados no torneio, e assitiu um dos maiores desfiles de moda do mundo. Tudo por uma boa causa.

Conhecemos Waad Mohamad num momento em que ela dava os últimos retoques nos seus desenhos personalizados de abaias, os tradicionais vestidos islâmicos.

A estilista estava prestes a ter o seu grande momento: uma das peças ia desfilar no Qatar Fashion United by CR Runway, uma montra internacional para os jovens criadores de moda.

"Sinto-me honrada por ter sido escolhida para participar neste desfile de moda, integrando uma coleção tão eclética de designers. Pessoas de todo o mundo vão poder ver neste desfile as nossas peças", disse-nos Waad Mohmmad, que em 2010 fundou a WaadDesigns ao ver-se sem opções.

"Era uma jovem licenciada acabada de sair da universidade. Queria uma oportunidade para trabalhar, mas não havia. Por isso criei uma", explicou-nos a diretora criativa e fundadora da WAADesign.

Com esse empreendimento, a estilista ofereceu também um toque moderno a um vestido tradicional para as mulheres muçulmanas.

"Eu desenho abaias e inspiro-me em tudo o que está à minha volta, literalmente. Se vejo alguém a passar por mim num vestido bonito, com um bom corte, dedico-me a tentar transforma-lo em algo mais modesto", revelou Waad Mohammad.

Pode ser modesto, mas ficou também pronto para ser exibido num palco internacional.

O desfile da CR Runway é uma mistura de moda, música, cultura e desporto. Integra 150 designers dos cinco continentes e de mais de 50 países. Entre eles, havia 21 estilistas do Qatar e boa parte a mostrar o trabalho pela primeira vez num palco internacional.

"O importante é perceber a parte empresarial do que eles produzem. Não basta ter talento nem ser capaz de criar. Para sobreviver, têm mesmo de ser capazes de vender o que produzem", sublinhou Maha al Sulaitim diretora do Museu M7 de Design e Tecnologia, que abriu em 2020 como um ecossistema de criadores e uma incubadora de negócios.  

"Um dos aspetos mais importantes é mostrar a nossa herança, a nossa cultura e partilhar a herança e cultura de toda a gente. E que melhor forma de o fazer do que na moda, uma linguagem comum que todos podemos falar e que nos permite apreciar as diversas origens", destaca a diretora do M7.

E que melhor forma de celebrar as diferenças, acrescentamos nós, do que exibir os estilistas locais num evento literalmente do tamanho de um estádio de futebol. O desfile angariou fundos para a "Educação Acima de Tudo", uma fundação do Qatar que apoia milhões de crianças em quase 60 países.

"A Education above All tem mais de 10 anos e está totalmente empenhada em proteger o direito a uma educação de qualidade para as pessoas mais desfavorecidas por todo o mundo", explicou-nos Maleiha Malik, a diretora do programa.

A fundação estima haver no mundo 60 milhões de crianças sem acesso à escola e esse número é demasiado grande para ser ignorado.

"O que sobressai, e porque é que somos a entidade perfeita para estes desfile de moda, é o facto de sermos globais. Com isso, asseguramos que todas as crianças, em todo o lado, independentemente da etnia ou da religião, são tratadas por igual. Como indivíduos com potencial para também se destacarem e acreditamos que a educação é a chave para isso", afirmou Maleiha Malik.

As receitas do desfile de moda Qatar Fashion United by CR Runway vão para diversos países. Desde a Tanzânia ou a Somália até ao Camboja ou a Myanmar. Ou para projetos no Afeganistão e na Faixa de Gaza. É feito à medida, tal como a visão da WAADesign.

"No final de cada ano, promovemos um evento de caridade e é como se tivessemos selecionado todas as opções. Literalmente, com este desfile de moda, sinto que o fiz", assume a jovem estilista Waad Mohammad.

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O espetáculo também parece ter agradao aos mais de 20 mil espetadores que esgotaram o Estádio 974 para ver um desfile que saltou fronteiras.

O apoio às vítimas do terramotos de fevereiro

"As Nações Unidas estimam que os danos provocados pelos devastadores terramotos que atingiram a Turquia e a Síria em fevereiro vão exceder os 100 mil milhões de dólares.

Pouco depois dos primeiros sismos, o braço do Crescente Vermelho no Qatar mobilizou ajuda humanitária para a região.

À margem de uma conferência da ONU em Doha, falámos com Fatima Abdeen, especialista do Crescente Vermelho do Qatar na resposta a desastres, para perceber como foi a resposta da organização àquela tragédia natural.

Aadel Haleem, Euronews: Fatima, estamos no Qatar, na 5ª Conferência das Nações Unidas sobre os Países Menos Desenvolvidos. Porque é que era tão importante ao Crescente Vermelho do Qatar estar aqui?

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Fatima Abdeen, especialista de Resposta a desastres do Crescente Vermelho do Qatar: Antes de mais, obrigado pelo convite para esta entrevista. O objetivo principal do Crescente Vermelho do Qatar é a localização e a importância da população local participar nas ações nos respetivos paises. Porquê? Porque em tempos de crise, os primeiros a ajudar são os locais e, se nós, como organização de ajuda, tivermos de deixar o país, serão os locais quem vai continuar a missão, assumir a distribuição de produtos e manter o longo desenvolvimento sustentável do respetivo país.

A comunidade internacional ficou chocada pelas imagens que recebia da Turquia e da Síria. Como é que o crescente Vermelho respondeu aos terramotos?
Primeiro, o Crescente Vermelho instalou um centro de gestão de desastres, onde deu formação e onde as pessoas podiam recolher informação sobre o que se estava a passar após os terramotos e quantas pessoas tinham sido afetadas. Depois, a nossa equipa no terreno, mobilizada na Turquia e na Síria, procurou responder às necessidades das pessoas e distribuiu ajuda. Por último, o quartel-general do Crescente Vermelho do Qatar alocou dois milhões de dólares em ajuda para aquelas pessoas.

**Quantos voluntários tem o Crescente Vermelho do Qatar?
**Atualmente, temos 27 mil no Qatar e eles desempenharam um papel importante durante a Covid-19, gerindo alguns dos campos onde as pessoas tinham de cumprir quarentenas. Estão bem preparados, vêm de diferentes sítios, trazem diferentes experiências e ajudam em diversos eventos de crise, por exemplo, distribuindo bens no Qatar ou até fora do Qatar.

**Falando de preparação, recentemente terminaram o nono curso de gestão de desastres em Al Khor. Quão importante foi realizar agora esse campo de treino?
**

Este curso permitiu-nos ajudar a preparar os voluntários, a melhorar as competências deles na gestão de crises e deu-lhes a capacidade de poderem ser enviados de imediato para enfrentar a qualquer momento uma emergência.

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As refeições solidárias do Iftar

O jejum do nascer ao pôr do sol durante o Ramadão simboliza em grande parte o sacrifício dos mais desfavorecidos, dos que têm menos ou mesmo nada para comer.

O mês de jejum é também uma importante lembrança para nunca deixarmos os mais pobres passar fome. Esse tem sido o lema durante o Ramadão da maior missão de caridade do Qatar.

Fomos descobrir a iniciativa a que se associou o Chef Abdullah Al Marzouki e a respetiva equipa. Encontramo-los atarefados a cozinhar.

Estavam a preparar as refeições do Iftar para os mais necessitados. Faz parte da iniciativa "Cozinha de Caridade" da Qatar Charity.

Estas refeições são preparadas todos os dias durante o Ramadão e oferecidas aos mais desfavorecidos.

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O Iftar é a refeição que quebra o jejum muçulmano após o pôr do sol e, por tradição, é uma grande mistura de vários pratos que ajuda depois a voltar a jejuar no dia seguinte após o amanhecer.

A Qatar Charity entende que todos devem poder desfrutar de uma boa refeição quando quebram o sacrifício religioso do jejum. Mesmo quem não a pode pagar.

Este é o quinto ano que o _Chef A_bdullah participa na "Cozinha de Caridade" e ele quer contihnuar a cozinhar por esta causa enquanto for preciso.

"Estou a cozinhar do fundo do coração porque em primeiro lugar isto é pela religião. Esta é a minha mensagem: todos as pessoas são iguais e devemos tratar as pessoas da forma que queremos ser tratados. Sobretudo no Ramadão", sublinha Abdullah Al Marzouki, reiterando o lema que tenta passar à equipa: "mostrar a nossa generosidade, personalidade e humanidade alimentando as pessoas."

A comida está pronta e é embalada por voluntários em doses individuais, prontas a entregar. No menu detse dia havia um combinado de pratos árabes e asiáticos, com igredientes tão especiais quanto a causa.

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"As pessoas doam alimentos e isso dá-lhes a oportunidade de oferecerem o que gostam porque esse é também um valor da nossa religião. A cozinha que contratámos é um negócio caseiro que nos permite preparar as refeições com base nos ingredientes que temos e entregá-las através dos voluntários às famílias que precisam destas refeições do Iftar", explicou-nos Fatima Al Mohannadi, diretora de Programas Lovais e Desenvolvimento Comunitário na Qatar Charity.

O Ramadão é habitualmente o mês mais movimentado do ano para a Qatar Charity. Há muitos programas de divulgação e de apoio à comunidade. Iniciativas como esta promovem o voluntariado e encorajam a generosidade entre as pessoas, em especial neste mês sagrado.

A voluntária Sara Adel Abdulaziz contou-nos que todos os dias tinha "de vir recolher refeições para depois distribuir por 12 famílias".

Mohamed Mamdouh Adawy, outro voluntário, assima-se "feliz por poder ajudar". "As pessoas ficam agradecidas pelo que fazemos e também rezam por nós e pelas nossas famílias", acrescentou.

A Qatar Charity dirige uma série de programas pensados não apenas para manter os voluntários, mas também para os ajudar a desenvolver competências como a liderança, o trabalho comunitário e a gestão de projetos.

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A organização tenta mostrar que nunca é tarde para nos iniciarmos no voluntariado.

"Estamos a dar poder aos jovens para participarem e retribuírem à comunidade. E sabemos o quão importante é a retribuição à comunidade. A prioridade aqui é ajudar os jovens a perceber o valor da contribuição, a respetiva autorrealização e amplificar esses valores na sociedade", concluiu Fatima Al Mohannadi.

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