Rússia volta a bombardear cidades ucranianas na madrugada do Dia do Trabalhador

Um tanque ucraniano dispara contra posições russas perto de Adviika, região de Donetsk
Um tanque ucraniano dispara contra posições russas perto de Adviika, região de Donetsk Direitos de autor AP Photo/Libkos
De  Francisco Marques
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O Kremlin continua a recorrer a mísseis de longo alcance e anuncia o descarrilamento de um comboio após explosão, num momento em que a contraofensiva da Ucrânia parece iminente

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Ucrânia volta a despertar ao som de explosões e um comboio descarrilou esta segunda-feira de manhã numa região russa próxima da fronteira ucraniana devido a um "engenho explosivo".

A Rússia lançou um novo ataque com mísseis de longo alcance contra diversas cidades ucranianas, incluindo a capital Kiev, e, ao final da manhã, anunciou o descarrilamento de um comboio devido a uma explosão na ferrovia na região de Unecha, no eixo de Bryansk, a norte da Ucrânia e a caminho da Bielorrússia.

"Não houve vítimas", disse o autarca regional Alexander Bogomaz, explicando ter-se tratado da locomotiva de uma composição de mercadorias e que a circulação ferroviária foi interrompida, afetando as ligações de passageiros na região.

Em relação aos bombardeamentos, todos os projéteis disparados contra Kiev terão sido neutralizados, informaram as forças armadas da Ucrânia, mas pelo menos uma pessoa morreu e três ficaram feridas na região de Kherson, avançou o chefe da administração militar local.

Oleksandre Prokoudine acusou os invasores, pelo Telegram, de alvejarem zonas residenciais além de um edifício oficial no centro de Kherson.

Na região de Dnipro, a ofensiva russa com mísseis provocou pelo menos 34 feridos, incluindo cinco crianças, a mais nova tem oito anos, precisou Serhiy Lysak, chefe da administração local. Duas mulheres, de 45 e 55 anos, estão em estado grave, nos cuidados intensivos.

O fornecimento elétrico em Dnipro e Kherson foi afetado pelos bombardeamentos.

A ofensiva russa terá começado por volta das 03 horas da madrugada deste dia feriado para celebrar os Trabalhadores.

As autoridades ucranianas dizem que os invasores atacaram esta segunda-feira pelo menos 119 zonas residenciais por todo o país, nomeadamente nas regiões de Donetsk, Kherson, Kharkiv, Sumy, Zaporíjia, Chernihiv, Luhansk, Dnipro e Myloaiv, provocando danos em pelo menos 179 infraestruturas. O balanço de vítimas está a ser apurado.

A administração militar da capital ucraniana revelou às primeiras horas da manhã ter conseguido eliminar todos os projéteis russos, incluindo drones e mísseis disparados a partir de aviões estratégicos. Até às 07h10 não havia registo de quaisquer vítimas civis nem a destruição de estruturas residenciais, lê-se na agência Interfax.

As Forças ucranianas dizem estar a lançar contraofensivas em diferentes zonas da linha da frente em Bakhmut, um dos palcos mais violentos da atual agressão russa contra a Ucrânia.

Do lado russo, a agência Tass noticiava à mesma hora o disparo por parte das forças da Ucrânia de mais de 70 projéteis contra a região separatistas de Donetsk, agora sob controlo do Kremlin, sem detalhar eventuais danos ou vítimas, assegurando ainda que a ofensiva contra alvos em Dnipro teria permitido destruir duas baterias S-300 ucranianas.

A invasão russa da Ucrânia entra numa nova fase de incerteza perante a anunciada contraofensiva, numa altura em que as forças ucranianas posicionam o armamento moderno cedido já este ano pelos aliados ocidentais, nomeadamente o sistema de defesa antiaéreo Patriot, desenvolvido pelos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, as forças afetas ao Kremlin tentam manter sob pressão a população ucraniana com as ofensivas de mísseis de longo alcance, ora disparados a partir do Mar Negro ora recorrendo a aviões estratégicos, mas também pelo envio de drones explosivos.

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