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Holanda: Três culpados pelo envolvimento no homicídio do jornalista Peter R. de Vries

 O repórter criminal holandês Peter R. de Vries observa antes de participar num programa de televisão em direto em Amesterdão, Holanda, a 31 de janeiro de 2008.
O repórter criminal holandês Peter R. de Vries observa antes de participar num programa de televisão em direto em Amesterdão, Holanda, a 31 de janeiro de 2008. Direitos de autor Jaber Abdulkhaleg/AP
Direitos de autor Jaber Abdulkhaleg/AP
De  Daniel Bellamy com AP
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Artigo publicado originalmente em inglês

Tribunal holandês condenou três homens, esta quarta-feira,pelo envolvimento no homicído jornalista de investigação, Peter R. de Vries em 2021. O crime provocou uma onde choque nos Países Baixos.

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Na quarta-feira, três homens foram condenados pelo envolvimento no homicídio do jornalista de investigação Peter R. de Vries. O ataque ocorreu em 2021, no centro de Amesterdão, e provocou uma onda de choque nos Países Baixos.

O atirador, o motorista e o organizador do ataque foram condenados a penas de prisão entre os 26 e 28 anos de prisão.

Os três demonstraram "uma crueldade e falta de escrúpulos sem precedentes. As suas ações e a imprudência demonstram que não se preocupam com a vida humana", declarou o juíz Gert Oldekamp no Tribunal de Amesterdão.

De Vries, 64 anos, foi morto a tiro a 5 de julho de 2021, numa rua movimentada de Amesterdão, e morreu nove dias depois devido aos ferimentos.

Annemiek van Spanje, advogada da família de Vries, disse que os familiares estavam satisfeitos com o julgamento, mas que "o resultado final não vai trazer o pai deles de volta".

No total, nove homens foram acusados pelo envolvimento no homicídio. Três foram condenados por cumplicidade e receberam penas que variam entre 10 e 14 anos. Um homem foi condenado a quatro semanas de prisão, por posse de droga e ilibado de cumplicidade no crime.

Outros dois foram absolvidos porque o Ministério Público não provou a existência de organização criminosa.

A porta-voz do Ministério Público, Justine Asbroek, congratulou-se com o veredicto. "Estamos felizes por este processo ter chegado ao fim - pelo menos por enquanto", disse aos jornalistas no tribunal. "Estamos felizes pela família, por finalmente existir clareza sobre os envolvidos neste caso".

Os procuradores pedriam prisão perpétua para o atirador, motorista e o organizador do crime. As penas foram, de um modo geral, mais curtas do que o solicitado, porque o tribunal considerou que não foi provada a ligação dos supeitos a uma organização criminosa ou que estes tenham agido por motivos terroristas.

Asbroek disse que os procuradores iriam, provavelmente, recorrer da sentença.

"Onda de choque" nos Países Baixos

O homicído provocou indignação, dor e revolta em toda a Holanda. O rei holandês Willem-Alexander considerou-o "um ataque ao jornalismo, a pedra angular do nosso Estado de direito e, portanto, também um ataque ao Estado de direito".

Oldekamp disse que o crime "provocou uma onda de choque nos Países Baixos".

De Vries era conselheiro e confidente de uma testemunha protegida no julgamento do alegado líder de um grupo criminoso. O irmão e o advogado da testemunha foram ambos assassinados.

Em fevereiro, Ridouan Taghi, o principal líder do grupo, foi condenado a prisão perpétua pelo envolvimento na morte de cinco pessoas que faziam parte de grupos organizados de crimes. Os juízes consideraram-no "líder incontestável" de uma "organização de assassinos". Porém, neste caso não foi acusado de envolvimento no homicído.

"Se Taghi esteve envolvido na morte de Peter de Vries e que intenção poderá ter tido não é expressamente objeto de avaliação neste processo criminal", disse Oldekamp.

No início deste ano, o advogado da família de Vries, van Spanje, lamentou o facto de nenhum suspeito estar a ser julgado por ser o mandante do assassinato.

"O facto de a pessoa que ordenou a morte não ser conhecida e não estar a ser julgada aqui, faz com que exista uma sombra sobre este julgamento", disse à Associated Press.

O atirador foi detido menos de uma hora após o ataque, juntamente com um polaco identificado apenas como Kamil E., que era o condutor da fuga. Os procuradores disseram aos juízes do Tribunal Distrital de Amesterdão que a arma utilizada para disparar contra de Vries foi encontrada no carro deles.

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