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Kim e Putin encontram-se em Pyongyang para expandir a cooperação económica e militar

Putin chega a PyongYang
Putin chega a PyongYang Direitos de autor Gavriil Grigorov/Sputnik
Direitos de autor Gavriil Grigorov/Sputnik
De  euronews com AP
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O Presidente russo, Vladimir Putin, e o líder norte-coreano, Kim Jong Un, reuniram-se na quarta-feira (esta madrugada em Lisboa) em Pyongyang, numa altura em que procuram expandir a sua cooperação económica e militar e mostrar uma frente unida contra Washington.

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Putin foi recebido à noite por Kim, que lhe apertou a mão, o abraçou duas vezes e o acompanhou desde o aeroporto numa limusina, numa enorme caravana que percorreu as ruas bem iluminadas da capital, onde os edifícios estavam decorados com bandeiras russas gigantes e retratos de Putin.

Após passar o resto da noite numa casa de hóspedes do Estado, Putin assistiu a uma luxuosa cerimónia de boas-vindas na praça principal da cidade, onde Kim apresentou os principais membros da sua liderança, incluindo o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Choe Son Hui; o principal assessor e secretário do partido no poder, Jo Yong Won; e a poderosa irmã do líder, Kim Yo Jong. Putin e Kim Jong Un iniciaram então as conversações da cimeira acompanhados pelos seus altos funcionários, segundo os meios de comunicação social russos.

Putin recebido por Kim Jong Un em Pyongyang
Putin recebido por Kim Jong Un em Pyongyang朝鮮通信社/AP

Os meios de comunicação social norte-coreanos descreveram o encontro entre os líderes como um acontecimento histórico que demonstra a "invencibilidade e durabilidade" da amizade e unidade das duas nações. Antes das conversações, uma enorme multidão alinhou-se nas ruas para saudar a comitiva de Putin, gritando "Bem-vindo Putin" e agitando flores e bandeiras norte-coreanas e russas.

Putin, que faz a sua primeira viagem à Coreia do Norte em 24 anos, foi citado pelos meios de comunicação oficiais antes da sua chegada, afirmando que os dois países querem cooperar estreitamente para ultrapassar as sanções lideradas pelos EUA e desenvolver ativamente a sua parceria. A imprensa local diz ainda que Putin apreciava o apoio firme da Coreia do Norte às suas ações militares na Ucrânia. O Kremlin lançou uma invasão em grande escala àquele país vizinho em 2022.

A visita de Putin surge no meio de preocupações crescentes sobre um acordo de armas em que Pyongyang fornece a Moscovo munições extremamente necessárias para alimentar a guerra da Rússia na Ucrânia em troca de assistência económica e transferências de tecnologia que aumentariam a ameaça representada pelas armas nucleares e pelo programa de mísseis de Kim.

Comitiva de Putin nas ruas de Pyongyang
Comitiva de Putin nas ruas de Pyongyang 朝鮮通信社/AP

A Coreia do Norte está sujeita a pesadas sanções económicas do Conselho de Segurança das Nações Unidas devido aos seus programas de armas nucleares e de mísseis, enquanto a Rússia está também sujeita a sanções dos Estados Unidos e dos seus parceiros ocidentais devido à sua agressão na Ucrânia.

Putin está a ser acompanhado por vários altos funcionários, incluindo o vice-primeiro ministro Denis Mantrurov, o ministro da Defesa Andrei Belousov e o ministro dos Negócios Estrangeiros Sergey Lavrov, segundo o seu conselheiro de política externa, Yuri Ushakov. Segundo ele, serão assinados vários documentos durante a visita, incluindo possivelmente um acordo sobre uma parceria estratégica abrangente.

As autoridades norte-americanas e sul-coreanas acusam o Norte de fornecer à Rússia artilharia, mísseis e outro equipamento militar para utilização na Ucrânia, possivelmente em troca de tecnologias militares essenciais e de ajuda. Tanto Pyongyang como Moscovo negam as acusações de transferência de armas norte-coreanas, o que violaria várias sanções do Conselho de Segurança da ONU que a Rússia apoiou anteriormente.

Juntamente com a China, a Rússia tem dado cobertura política aos esforços contínuos de Kim para fazer avançar o seu arsenal nuclear, bloqueando repetidamente os esforços liderados pelos EUA para impor novas sanções da ONU ao norte devido aos seus testes de armas.

Em março, um veto russo nas Nações Unidas pôs fim à monitorização das sanções da ONU contra a Coreia do Norte devido ao seu programa nuclear, o que suscitou acusações ocidentais de que Moscovo está a tentar evitar o escrutínio, uma vez que compra armas a Pyongyang para serem utilizadas na Ucrânia. Autoridades norte-americanas e sul-coreanas afirmaram estar a discutir opções para um novo mecanismo de controlo do Norte.

Os analistas sul-coreanos afirmam que Kim procurará provavelmente obter da Rússia maiores benefícios económicos e tecnologias militares mais avançadas, embora as suas discussões mais sensíveis com Putin não devam ser tornadas públicas.

Embora o programa nuclear militar de Kim inclua atualmente o desenvolvimento de mísseis balísticos intercontinentais que podem potencialmente atingir a parte continental dos Estados Unidos, A Coreia do Norte poderá necessitar de ajuda tecnológica externa para fazer avançar significativamente o seu programa. Já há indícios de que a Rússia está a ajudar o Norte com tecnologias relacionadas com foguetões espaciais e satélites de reconhecimento militar, que Kim descreveu como cruciais para monitorizar a Coreia do Sul e aumentar a ameaça dos seus mísseis com capacidade nuclear.

Para além de enviar material militar para a Rússia na guerra contra a Ucrânia, o Norte pode também procurar aumentar as exportações de mão de obra e outras atividades ilícitas para ganhar divisas, desafiando as sanções do Conselho de Segurança da ONU, de acordo com um relatório recente do Instituto de Estratégia de Segurança Nacional, um grupo de reflexão dirigido pela principal agência de espionagem da Coreia do Sul. É provável haver conversações sobre a expansão da cooperação nos setores da agricultura, pescas e minas e sobre a promoção do turismo russo na Coreia do Norte, segundo o instituto.

Kim recebe Putin em Pyongyang
Kim recebe Putin em PyongyangAP Photo

Em Washington, o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, disse que a visita de Putin à Coreia do Norte ilustra como a Rússia tenta, "em desespero, desenvolver e reforçar as relações com países que lhe podem fornecer o que precisa para continuar a guerra de agressão que iniciou contra a Ucrânia".

"A Coreia do Norte está a fornecer munições significativas à Rússia (...) e outras armas para serem utilizadas na Ucrânia. O Irão tem fornecido armamento, incluindo drones, que têm sido utilizados contra civis e infraestruturas civis", disse Blinken aos jornalistas após uma reunião com o chefe da NATO, Jens Stoltenberg, na terça-feira.

As tensões na Península Coreana atingiram o ponto mais alto dos últimos anos, com o ritmo dos testes de armamento de Kim e dos exercícios militares combinados envolvendo os Estados Unidos, a Coreia do Sul e o Japão a intensificarem-se.

As Coreias também se envolveram numa guerra psicológica ao estilo da Guerra Fria, que envolveu a Coreia do Norte a lançar toneladas de lixo sobre o Sul com balões, e o Sul a difundir propaganda anti norte-coreana nos seus altifalantes.

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