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União Africana suspende Guiné-Bissau após golpe militar. Embaló refugia-se no Congo

Dinis N'Tchama, porta-voz militar, fala na quarta-feira, 26 de novembro de 2025, em Bissau, na Guiné-Bissau.
Dinis N'Tchama, porta-voz militar, fala na quarta-feira, 26 de novembro de 2025, em Bissau, na Guiné-Bissau. -  Direitos de autor  AP/AP
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De Manuel Ribeiro  & euronews
Publicado a •Últimas notícias
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A União Africana suspendeu a Guiné-Bissau após um golpe militar, afirmando que não tolerará mudanças inconstitucionais. Há suspeitas de que o golpe tenha sido encenado. Entretanto, Embaló deixa o Senegal e refugia-se no Congo.

Numa resolução adotada pelo Conselho de Paz e Segurança da União Africana (UA) na sexta-feira, a organização reiterou que tem "tolerância zero em relação a mudanças inconstitucionais de governo" e decidiu "suspender imediatamente a participação da República da Guiné-Bissau em todas as atividades da União, dos seus órgãos e instituições, até que a ordem constitucional seja restaurada no país".

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Na quinta-feira, a CEDEAO já tinha suspendido o país dos seus órgãos de decisão até que a ordem constitucional fosse restaurada.

A tomada do poder pelos militares na quarta-feira ocorreu um dia antes do anúncio dos resultados oficiais das eleições presidenciais e legislativas realizadas no domingo, quando ambos os candidatos — o líder da oposição, Fernando Dias, e o presidente em exercício, Umaro Sissoco Embaló — declararam vitória. Contudo, ativistas guineenses afirmam que a contagem indicava a "vitória" de Fernando Dias.

Às 12h40 de quarta-feira, um grupo de militares, intitulado Alto Comando Militar para a Restauração da Segurança Nacional e da Ordem Pública, anunciou ter assumido o "controlo total do país" e a suspensão do processo eleitoral. O presidente Umaro Sissoco Embaló foi detido e foi o próprio chefe de Estado que disse a uma revista que tinha havido um golpe militar no seu país, sem recurso a violência.

Fuga para o Senegal e a suspeita de encenação de golpe de Estado

Embaló chegou ao Senegal na quinta-feira num voo fretado pelo presidente senegalês. Contudo, o primeiro-ministro daquele país vizinho levantou a suspeita de que tudo terá sido um complô.

"Não vou me estender sobre a situação da Guiné-Bissau. O ocorrido é de competência do Presidente da República. O Governo já emitiu um comunicado a respeito. Não obstante, todos somos livres para opinar: o que aconteceu na Guiné-Bissau, como todos sabemos, é um complô (...). O processo eleitoral deve ser concluído e a comissão deve anunciar o vencedor", disse Ousmane Sonko na quinta-feira, no parlamento senegalês, citado pela DW-Africa.

O ex-presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, também criticou o alegado golpe militar, descrevendo-o como um "golpe cerimonial", depois de soldados terem aparecido na televisão estatal a reivindicar o controlo do país.

Em declarações difundidas pela Africanews, Jonathan questionou as circunstâncias invulgares, observando que o próprio presidente Umaro Sissoco Embaló tinha, inicialmente, anunciado o golpe e falado com os meios de comunicação social durante a tomada do poder.

"Os militares não tomam o poder dos governos, e o presidente em exercício que eles derrubam teria permissão para dar conferências de imprensa e anunciar que foi preso. Quem está a enganar quem?", disse Jonathan, classificando a situação como "bastante perturbadora" para aqueles que apoiam a democracia.

O mesmo tem também sido sinalizado por ativistas guineenses. "Ciente da sua derrota anunciada, Umaro Sissoco Embaló resolve recorrer a expedientes que lhe são conhecidos", escreve Sumaila Djaló, ativista guineense, na sua página do Facebook.

Após o alegado golpe, o alto comando militar da nação da África Ocidental empossou o ex-chefe do Estado-Maior do Exército, general Horta Inta-a, como chefe do governo militar, que supervisionará um período de transição de um ano, de acordo com uma declaração transmitida pela televisão estatal.

O novo líder da junta militar da Guiné-Bissau, o general Horta Inta-A, presta juramento em Bissau, Guiné-Bissau.
O novo líder da junta militar da Guiné-Bissau, o general Horta Inta-A, presta juramento em Bissau, Guiné-Bissau. TGB Guinea-Bissau via AP/Copyright 2025 The AP. All rights reserved

Entretanto, sabe-se que o presidente deposto já não se encontra no Senegal. "Umaro Sissoco Embaló deixou Dakar, no Senegal, para se dirigir ao Congo", reporta a mesma revista francófona que avançou com o golpe de quarta-feira, a Jeune Afrique, citando "fontes fidedignas próximas ao presidente deposto". Sissoco Embaló chegou a Brazzaville na madrugada de sábado, 29 de novembro, "a bordo de um avião fretado pela presidência congolesa", acrescenta a publicação.

A Guiné-Bissau tem sido assolada por golpes e tentativas de golpe desde a sua independência de Portugal há mais de 50 anos, incluindo uma tentativa de golpe em outubro. O país de 2,2 milhões de habitantes é conhecido como um centro de tráfico de droga entre a América Latina e a Europa, tendência que, segundo especialistas, tem alimentado as suas crises políticas.

Outras fontes • Africanews, AP

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