Terminou a missão diplomática da primeira-ministra italiana ao Golfo Pérsico. As conversações com o Qatar, os Emirados e a Arábia Saudita centraram-se no restabelecimento do abastecimento de energia e na segurança em Ormuz.
Giorgia Meloni terminou no sábado a visita de dois dias ao Golfo Pérsico, com paragens no Qatar e nos Emirados Árabes Unidos, após a visita de sexta-feira à Arábia Saudita para consultas sobre a segurança da zona e o abastecimento de energia da região, bloqueado pelo encerramento parcial do Estreito de Ormuz.
A primeira-ministra italiana foi recebida em Doha pelo emir do Qatar, Tamim bin Hamad Al-Thani, lê-se numa nota do Palazzo Chigi, com quem discutiu os esforços diplomáticos em curso para pôr fim à guerra no Médio Oriente. Itália, tal como outros países, sofreu recentemente um corte no fornecimento de gás devido aos danos sofridos pelos Emirados durante os ataques iranianos.
A este respeito, Meloni manifestou a disponibilidade da Itália para reabilitar as infraestruturas energéticas locais e apelou a uma cooperação urgente para garantir a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz. Outros temas abordados nas reuniões incluíram investimentos conjuntos em segurança e defesa, em infraestruturas críticas e na gestão dos fenómenos migratórios nas rotas do Mediterrâneo.
A última paragem da viagem surpresa ao Golfo foi nos Emirados Árabes Unidos, onde Meloni expressou ao presidente Mohamed bin Zayed Al-Nahyan a "forte proximidade da Itália a uma nação amiga, vítima de contínuos ataques do Irão" e a gratidão "pelo apoio recebido nas operações de repatriamento de turistas em trânsito e dos milhares de cidadãos italianos presentes nos Emirados no início do conflito".
Os dois líderes discutiram a mesma agenda que foi levada ao Qatar e à Arábia Saudita. Na sexta-feira, o príncipe herdeiro saudita, Mohammed Bin Salman, discutiu com a chefe do governo italiano a assistência militar defensiva prestada pela Itália e as perspetivas do conflito que envolve o Irão e os esforços em curso para uma solução diplomática.
Durante a reunião em Jeddah, foi também discutida a forma de garantir o abastecimento de energia e de reduzir o impacto da crise nas empresas e nos cidadãos.
A visita de Meloni à região foi a primeira de um dirigente da UE, do G20 ou da NATO desde o início da guerra, a 28 de fevereiro. Foi uma escolha forte, desejada pela primeira-ministra italiana e mantida em segredo até ao último minuto por razões de segurança, tendo em conta os bombardeamentos do Irão que continuam mesmo nestas horas.
Em Itália, a missão foi criticada pelo Partido Democrata e pela Aliança Verde de Esquerda, enquanto o líder do partido Itália Viva e antigo primeiro-ministro, Matteo Renzi, falou de uma "escolha politicamente inteligente", apesar de "termos pela frente meses difíceis".