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Mercados recuperam na expectativa de que a extrema-direita não vencerá segunda volta em França

A Guarda Republicana no Arco do Triunfo no Dia da Bastilha em Paris
A Guarda Republicana no Arco do Triunfo no Dia da Bastilha em Paris Direitos de autor Aurelien Morissard/Copyright 2023 The AP. All rights reserved.
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De  Tina Teng
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Artigo publicado originalmente em inglês

Euro abriu em alta na segunda-feira, com a primeira volta das eleições parlamentares francesas a indicar que o Rassemblement National poderá não obter votos suficientes para formar um governo.

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A primeira volta das eleições francesas mostrou que o partido de extrema-direita de Marine Le Pen, o Rassemblement National (RN), poderá não conseguir obter votos suficientes para uma maioria absoluta, aumentando a possibilidade de um parlamento em suspenso. O resultado impulsionou o euro, com a moeda única a abrir em alta em relação à maioria das outras moedas do G-10 durante a sessão asiática de segunda-feira, uma vez que os investidores se sentiram aliviados das graves perturbações económicas e políticas que poderiam ter ocorrido se o partido de Le Pen tivesse conquistado o monopólio do poder.

Um possível parlamento em suspenso

No fim de semana, a taxa de participação nas eleições francesas atingiu 59,4%, contra 39,4% há dois anos, o que representa a maior taxa de participação desde 1986. De acordo com as projeções da primeira volta das eleições de domingo, o Rassemblement National, de extrema-direita, obteve entre 33% e 34,2% dos votos nacionais. A coligação de esquerda seguiu-se com 28,5% a 29,6%, enquanto a aliança centrista do presidente Emmanuel Macron obteve entre 21,5% e 22,4% de apoio.

Os resultados sugerem que o RN poderá obter entre 230 e 315 lugares, a Nova Frente Popular entre 115 e 200 lugares e a aliança centrista de Macron entre 60 e 120 lugares. Esta é a primeira vez na história que a extrema-direita ganha tanto poder político em França.

No entanto, o partido de Le Pen ainda não conseguiu obter a maioria absoluta para dominar a Assembleia Nacional, o que dificulta a aprovação de legislação. Embora esta situação possa criar um momento precário no panorama político francês, a segunda volta das eleições, prevista para 7 de julho, irá determinar o futuro do país. Se o RN não conseguir assegurar um número suficiente de lugares para obter o poder absoluto no parlamento, os acordos interpartidários na segunda volta serão determinantes para o resultado.

No entanto, este poderá ser o melhor resultado para os mercados europeus e para o euro, uma vez que a extrema-direita francesa não obteve tanto apoio como previsto. O cenário de um parlamento suspenso significa que nenhum partido pode anular o poder legislativo, o que representa uma ameaça menor para a estabilidade financeira da França. Além disso, dará a Macron tempo e uma oportunidade de fazer uma reviravolta nas próximas eleições, dentro de três anos.

Mercados europeus terminam o mês de junho em baixa e com volatilidade

As principais bolsas europeias terminaram o mês de junho com uma nota negativa devido à turbulência política, com o CAC 40 a cair 6,42% no mês passado. O Euro Stoxx 600 caiu 2,08% e o DAX desceu 1,42% em junho. Consequentemente, o euro enfraqueceu em relação à maioria das outras moedas do G-10, devido ao aumento do poder da extrema-direita nas eleições parlamentares da UE. No meio das incertezas que rodeiam o resultado final das eleições francesas, prevê-se que tanto os mercados acionistas europeus como o euro se mantenham voláteis na próxima semana.

A aversão ao risco pode continuar a dominar o sentimento do mercado, como evidenciado pelo diferencial entre as taxas de rendibilidade das obrigações francesas a 10 anos e as suas homólogas alemãs, que voltou a subir para 81,1 pontos base na sexta-feira, o nível mais elevado desde 2012. Em tempos de crise, as obrigações do Estado alemão são consideradas ativos de refúgio na Europa, o que leva a um aumento do diferencial de rendimento entre as obrigações de referência destes dois países.

Venda de obrigações do Tesouro francesas

Simultaneamente, os investidores pareciam estar a vender as obrigações do Tesouro francês, preocupados com o facto de a ascensão do partido de extrema-direita poder prejudicar a capacidade da França para gerir a sua dívida pública. A plataforma de Marine Le Pen, que defende políticas anti-imigração, cortes nos impostos e uma redução da idade da reforma, deverá aumentar significativamente o défice público.

Há também receios de que a potencial turbulência económica possa ter um efeito de arrastamento em toda a zona euro. Na semana passada, o governo alemão suspendeu uma emissão conjunta de dívida pública destinada a apoiar o sistema de defesa devido à turbulência política em França. Além disso, a ascensão da influência da extrema-direita poderá dissuadir o investimento estrangeiro e dificultar o progresso tecnológico da França na Europa, colocando em risco o ambicioso plano de Emmanuel Macron de atrair até 15 mil milhões de euros em investimentos, particularmente em tecnologia, inteligência artificial e produtos farmacêuticos.

Apesar dos riscos crescentes em França, o BCE não considera necessário intervir no mercado obrigacionista francês. Os legisladores sublinharam que a resolução de qualquer turbulência nos mercados franceses é, antes de mais, da competência dos políticos franceses.

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