A QatarEnergy e a ExxonMobil assinaram com o Egito um acordo para enviar por gasoduto gás cipriota offshore para unidades egípcias de liquefação destinadas à exportação para a Europa, reforçando o papel do país como principal hub energético do Mediterrâneo Oriental.
QatarEnergy assinou um acordo com a ExxonMobil e com o Ministério do Petróleo e dos Recursos Minerais do Egito para estudar de que forma o gás descoberto ao largo de Chipre pode ser desenvolvido e exportado através da infraestrutura existente no país.
O memorando de entendimento, assinado pelo ministro do Petróleo Karim Badawi, coloca a empresa estatal qatari de energia no centro de um esforço mais alargado para ligar os campos de gás offshore de Chipre às instalações egípcias de exportação e aos compradores europeus.
A QatarEnergy indicou que o acordo irá explorar futuras oportunidades de crescimento e modelos comerciais que utilizem a infraestrutura de gás do Egito, que abastece consumidores internos e mercados internacionais.
Chipre não dispõe de instalações próprias de liquefação, pelo que o gás extraído dos seus campos offshore tem de ser primeiro transportado por gasoduto submarino até ao Egito, onde é processado e liquefeito antes de seguir para os mercados europeus.
Chipre tenta há mais de uma década transformar as descobertas offshore em exportações comerciais, e o presidente Nikos Christodoulides afirmou que as últimas autorizações representam um ponto de viragem, ao passarem o país da fase de exploração para a de aproveitamento dos seus recursos de gás natural.
Egito torna-se porta de entrada do gás de Chipre para a Europa
O Egito já garantiu um papel central nesse plano. Em abril, os parceiros do campo cipriota Afrodite assinaram um acordo de 15 anos para vender todo o gás natural recuperável da jazida à Egyptian Natural Gas Holding Company, com opção de prolongar o contrato por mais cinco anos.
Esse acordo, juntamente com o assinado na quinta-feira, mostra como o Egito se está a tornar a principal via de escoamento do gás cipriota. O entendimento reforça ainda a parceria já existente da QatarEnergy com a ExxonMobil em Chipre.
As duas empresas são parceiras no Bloco 10, onde a descoberta Glaucus, feita em 2019 e estimada em cerca de 3,7 biliões de pés cúbicos de gás, é uma das mais importantes descobertas offshore de Chipre.
Uma segunda descoberta no mesmo bloco, Pegasus, foi identificada em 2025 e, em março, o consórcio declarou formalmente que ambos os campos são comercialmente viáveis, com reservas combinadas de cerca de 7 biliões de pés cúbicos.
Considerou o presidente executivo da QatarEnergy, Saad Sherida Al Kaabi, que o acordo é um passo importante para aprofundar a cooperação energética regional em todo o Mediterrâneo Oriental.
A rota poderá também ser relevante para a Europa, que procura diversificar o aprovisionamento de gás desde que a invasão russa da Ucrânia perturbou fluxos energéticos de longa data. O gás cipriota dificilmente transformará por si só o equilíbrio energético europeu, mas poderá acrescentar mais uma opção de abastecimento a partir do Mediterrâneo Oriental.
O plano ainda está numa fase inicial. Ainda não há decisão final de investimento e faltam definir pormenores como as ligações de infraestruturas e as condições comerciais.
Se a meta de 2028 for cumprida, assinalará as primeiras exportações de gás de Chipre e uma nova rota de abastecimento para a Europa.