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Culinária de fusão: o que cozinham em Copenhaga os melhores chefs do mundo?

Reúnem-se em Copenhaga os melhores chefs do mundo para rara colaboração
Melhores chefs do mundo reúnem-se em Copenhaga para rara colaboração global Direitos de autor  Credit: dkvnr
Direitos de autor Credit: dkvnr
De Theo Farrant
Publicado a Últimas notícias
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Inspirados no legado do Noma e da Nova Cozinha Nórdica, chefs de topo de 26 países reuniram-se para partilhar técnicas e receitas.

Mais de 60 dos melhores chefs do mundo reuniram-se em Copenhaga para uma rara colaboração culinária global, cozinhando lado a lado e partilhando ideias sobre o futuro da gastronomia.

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Os participantes figuram entre os 100 primeiros na lista dos 50 melhores restaurantes do mundo. O encontro, denominado Convergence, teve lugar no restaurante Alchemist e juntou chefs de 26 países durante vários dias de debates e apresentação de pratos de assinatura.

A iniciativa assenta numa notável herança culinária iniciada na capital dinamarquesa há mais de uma década.

Restaurante dinamarquês Noma, em Copenhaga
Restaurante dinamarquês Noma, em Copenhaga Credit: AP Photo

O Noma, com sede em Copenhaga, foi eleito Melhor Restaurante do Mundo por cinco vezes e tornou-se um dos estabelecimentos mais influentes na história deste ranking. A aposta em ingredientes nórdicos de proximidade ajudou a impulsionar o movimento da Nova Cozinha Nórdica.

“Copenhaga mudou a minha vida”, diz Santiago Lastra, fundador do KOL, em Londres, atualmente na 49.ª posição do ranking mundial. “Ouvi falar do Noma e da nova cozinha nórdica quando era um jovem cozinheir. Era tudo incrivelmente novo. Desde sumo de ruibarbo a espinheiro-marítimo, alcaparras de alho-selvagem e manteiga de flor de sabugueiro, era simplesmente inacreditável.”

Lastra foi um dos muitos chefs que, em tempos, vieram a Copenhaga para aprender e regressaram agora como pares.

A iniciativa foi liderada por Rasmus Munk, fundador e chef executivo do Alchemist, número 5 na lista e recentemente eleito Melhor Chef do Mundo nos The Best Chef Awards.

Rasmus Munk, fundador e chef executivo do Alchemist, intervém perante os chefs no evento CONVERGENCE
Rasmus Munk, fundador e chef executivo do Alchemist, intervém perante os chefs no evento CONVERGENCE Credit: dkvnr

Perante uma sala cheia de chefs reconhecidos internacionalmente, Munk afirmou: “É bastante emotivo ver aqui tantas pessoas que respeito há tantos anos e agradeço-vos muito por terem vindo.”

Para o chef chileno Rodolfo Guzmán, fundador do Boragó e número 23 do mundo, Copenhaga tornou-se entretanto uma referência da restauração à escala global: “Copenhaga é agora uma capital gastronómica”, diz. “Estou muito entusiasmado por estar aqui com esta ideia de nos reunir, de partilhar, de aprender uns com os outros. É disso que a gastronomia trata.”

Acrescenta: “A forma como a gastronomia tem evoluído nunca nos trouxe a este ponto. Provavelmente a gastronomia está a aproximar-se do que aconteceu na arquitetura. Há 40 ou 50 anos nunca se via o chef fora da cozinha. Hoje em dia, os chefs estão em todo o lado.”

Mitsuharu “Micha” Tsumura, chef e fundador do Maido, em Lima, no Peru – número 1 do mundo em 2025 – descreve a fase atual como singularmente colaborativa: “O Convergence é um dos exemplos do que se passa hoje na gastronomia: juntar pessoas, partilhar conhecimento”, afirma. “Penso que devemos estar muito satisfeitos com o momento que a gastronomia vive. Isto não acontecia há 30 anos.”

Pode a gastronomia tornar-se uma forma de arte?

Para lá das cozinhas, o encontro apontou também a um objetivo cultural mais vasto. O ministro da Cultura da Dinamarca, Jakob Engel-Schmidt, anunciou durante a reunião que o país vai estudar se a gastronomia pode ser oficialmente reconhecida como expressão artística.

Após o evento, vários chefs apresentaram os seus pratos de assinatura em restaurantes de Copenhaga, oferecendo aos clientes uma rara oportunidade de provar algumas das cozinhas mais influentes do mundo numa só cidade.

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