Ruas cortadas, centenas de milhares de pessoas no local e milhões a ver na Netflix: regresso da banda de K-pop torna-se num megaevento.
Durante vários anos estiveram afastados dos palcos; agora regressam em força. A banda de K-pop BTS deu no sábado, em Seul, um concerto de grande dimensão que desencadeou um evento global para os fãs.
Na capital sul-coreana registou-se uma verdadeira enchente. Cerca de 22.000 fãs garantiram lugares, mesmo em frente ao palco, e dezenas de milhares acompanharam o concerto em ecrãs gigantes montados nas imediações. No total, as autoridades estimaram que cerca de 260.000 pessoas se deslocaram para a zona do recinto, um dos mais conhecidos espaços históricos da cidade.
Devido ao espetáculo gratuito ao ar livre, a polícia isolou grande parte do bairro de Gwanghwamun. Ruas foram cortadas, o metro e os autocarros circularam parcialmente, museus e lojas tiveram de encerrar. Segundo a agência AFP, cerca de 15.000 polícias e elementos de segurança foram mobilizados.
Coreia do Sul: Seul em estado de alerta
Muito antes do início do espetáculo, os fãs, vestidos com roupas coloridas, afluíam à cidade, tiravam selfies com os bilhetes e erguiam os característicos bastões luminosos da "ARMY" dos BTS (como se designa a comunidade de fãs da banda). A multidão gritava "BTS! BTS!", enquanto a artéria principal que conduz à praça de Gwanghwamun estava apinhada até ao último metro. O portão histórico foi iluminado com as cores do arco-íris antes do arranque do concerto, enquanto o palco era preparado com uma instalação elaborada e efeitos de luz.
Quem não pôde estar presente teve, ainda assim, a possibilidade de acompanhar o concerto em direto: a Netflix transmitiu o espetáculo para 190 países. Milhões de fãs seguiram a atuação online.
Atenção mundial: milhões acompanham transmissão em direto
A banda mostrou-se cheia de energia, apesar de algumas limitações físicas. O rapper RM atuou parte do tempo sentado num banco, devido a uma lesão num tornozelo. "Foi uma longa viagem, mas finalmente estamos aqui!", afirmou, citado pela AFP.
O muito aguardado mega regresso está a provocar grande entusiasmo em todo o mundo e não deixa indiferentes nem os próprios megastars. A banda admitiu ter estado nervosa antes de subir ao palco. O membro J-Hope disse aos fãs: "Houve momentos em que nos perguntámos se tínhamos sido esquecidos. Ou se ainda se iriam lembrar de nós."
O cantor Jimin acrescentou: "Não somos pessoas especiais. Temos medo todas as vezes. Mas acreditámos que a nossa sinceridade vos iria tocar."
Novo álbum bate recordes
O novo álbum "ARIRANG", lançado na sexta-feira, assinala mais um marco na carreira do grupo. Segundo a editora, venderam-se quase quatro milhões de cópias no primeiro dia. A plataforma Spotify registou cinco milhões de pré-guardados, um recorde para um artista de K-pop. Foi ainda o álbum mais ouvido em streaming num só dia este ano.
O título do álbum recupera uma canção popular tradicional coreana, muitas vezes considerada hino nacional oficioso. As 14 faixas combinam rap, batidas fortes e elementos experimentais, com colaborações de artistas internacionais.
Banda faz pausa devido ao serviço militar
O grupo recuou temporariamente em 2022, uma vez que os sete membros tinham de cumprir o serviço militar obrigatório na Coreia do Sul. A prestação dura, em regra, entre 18 e 21 meses e é parte integrante do sistema de defesa do país, sobretudo face à Coreia do Norte.
O regresso acontece assim após uma pausa de quase quatro anos, depois de o último membro ter terminado o serviço em junho de 2025.
Mas o concerto em Seul é apenas o início: está já prevista uma grande digressão mundial. Arranca em 9 de abril, em Goyang, na Coreia do Sul, e termina cerca de onze meses depois, em Manila, capital das Filipinas. No total, estão programados 82 espetáculos em 34 cidades e 23 países.
Tudo indica que esta digressão voltará a estabelecer novos padrões, como grande parte do que os BTS alcançaram nos últimos anos.