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Itália prepara-se para enfrentar segundo ano de seca

Imagem de drone mostra a ilha de San Biagio, afetada pela seca no Lago de Garda, perto de Lido di Manerba, Itália, 21 de Fevereiro de 2023.
Imagem de drone mostra a ilha de San Biagio, afetada pela seca no Lago de Garda, perto de Lido di Manerba, Itália, 21 de Fevereiro de 2023. Direitos de autor Reuters
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De  Charlotte Elton com Reuters, AP
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Reservatórios e lagos encontram-se em níveis extremamente baixos, o que ameaça a produção agrícola

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Os níveis de armazenamento de água em algumas regiões de Itália encontram-se a menos de metade dos níveis normais, alertam os especialistas.

Itália está a preparar-se para um segundo ano consecutivo de seca severa após um Inverno com pouca chuva e queda de neve escassa nos Alpes.

Os reservatórios e os lagos encontram-se em níveis extremamente baixos, o que ameaça a produção agrícola.

"As consequências de uma seca tão prolongada estão à vista de todos", alerta Ramona Magno, investigadora do Instituto de Bioeconomia do Conselho Nacional de Investigação.

"Os lagos de grandes dimensões estão muito abaixo dos níveis médios sazonais, especialmente o nível do Lago de Garda que atingiu o seu ponto mais baixo com cerca de 38% da sua capacidade total.

"Ao longo de todo o curso do rio Pó, o caudal de água é inferior ao do ano passado durante o mesmo período".

Os níveis de armazenamento de água em partes da Lombardia são menos de metade do que normalmente são nesta altura do ano, disse Attilio Fontana, presidente da região.

Quão grave foi a seca italiana em 2022?

No ano passado, a Itália foi afetada pela pior seca dos últimos 70 anos. O - o rio mais longo do país - transformou-se numa longa extensão de areia.

Um Inverno anormalmente seco não trouxe grande alívio aos agricultores. O Lago de Garda atingiu os níveis mais baixos do Inverno em mais de 30 anos, revelando um trilho de areia em direção à ilha isolada de San Biago.

Em Fevereiro, a linha de água do lago estava cerca de 65 cm abaixo da média para esta época do ano.

O prolongado período de seca está a devastar as culturas do país. Coldiretti, a principal associação de agricultores italianos, disse que o sector perdeu cerca de 6 mil milhões de euros no ano passado prevendo que 300 mil empresas possam vir a perder ainda mais se a seca se prolongar.

Reuters
Rochas subaquáticas emergem das águas do Lago de Garda depois do norte de Itália ter sofrido a pior seca dos últimos 70 anos em 2022Reuters

Os operadores de barcos também estão a sentir a pressão à medida que o caudal do rio diminui e as águas se tornam pouco profundas. A navegação das embarcações de maiores dimensões tornar-se-á impossível se a chuva não chegar em breve.

Qual será a gravidade da seca em Itália este ano?

A seca extrema já está a afectar 6% das cidades da Lombardia e do Piemonte, com 19 delas a registarem o nível mais elevado de escassez, segundo a Utilitalia, uma federação de empresas de serviços públicos.

Segundo esta federação, algumas cidades já começaram a receber água potável em camiões-cisterna.

No início de Abril, o nível do rio atingiu um mínimo sazonal recorde de 30 anos, com caudais de um terço da média, de acordo com a autoridade da bacia do Pó.

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Os Alpes circundantes tiveram um Inverno invulgarmente seco e quente, pelo que não têm as reservas de neve que normalmente alimentariam o rio no final da Primavera e no Verão.

A cobertura de neve está actualmente 75% abaixo da média sazonal de 10 anos, de acordo com a agência do clima e do ambiente da província de Bolzano. Os lagos alpinos da província armazenam normalmente uma média de 100 milhões de litros de água, mas o nível actual mal chega aos 42 milhões de litros.

Este tempo invulgarmente seco tornar-se-á cada vez mais frequente. O último relatório do Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas prevê que a precipitação no vale do irá variar mais nos próximos anos, com um aumento dos fenómenos meteorológicos extremos.

"A frequência e a intensidade dos fenómenos meteorológicos extremos estão a elevar cada vez mais a fasquia", afirmou a investigadora Romana Magno.

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"Os custos de uma resposta tornam-se insustentáveis e deixam feridas cada vez mais profundas e difíceis de sarar", acrescentou.

Ao longo das margens do rio Adige, no norte da província de Trento, o caudal de água é metade da média sazonal.

Os caudais reduzidos permitem que o mar Adriático se infiltre nos rios e Adige ao longo de dezenas de quilómetros, pondo em perigo as culturas, as explorações de amêijoas, os aquíferos e até a água potável de algumas aldeias.

Como é que a Itália se está a preparar para a seca?

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, criou no mês passado um centro de controlo para monitorizar a capacidade hídrica em todo o país. Em Fevereiro, nomeou um "comissário extraordinário com poderes executivos" para levar a cabo o plano governamental de combate à seca.

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Mas há quem diga que o Governo não está a olhar suficientemente para o futuro.

"A Itália é muito boa a lidar com emergências, mas muito má a planear", diz Alessandro Bratti, secretário-geral da autoridade do rio Pó. "No recente decreto sobre a seca emitido pelo governo não há nada, não há planeamento plurianual, não há projectos executivos de infra-estruturas."

A intrusão de água salgada poderia ser travada por barreiras anti-sal, mas a autoridade da bacia do Pó só recentemente recebeu os fundos para um projeto e levará anos ou mesmo décadas até ao início dos trabalhos.

A nível local, o governo da Lombardia pediu às empresas de água e aos operadores hidroeléctricos que limitassem a sua utilização.

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Muitos agricultores estão também a investir na irrigação de precisão para poupar água durante os meses mais quentes do ano.

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