Estratégia de Segurança Económica da UE enfrenta riscos geopolíticos

A estratégia foi apresentada, nas linhas gerais, pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen
A estratégia foi apresentada, nas linhas gerais, pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen Direitos de autor European Union, 2023.
Direitos de autor European Union, 2023.
De  Efi KoutsokostaIsabel Marques da Silva
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A Comissão Europeia apresentou, terça-feira, uma nova Estratégia de Segurança Económica para fazer face ao aumento de riscos geopolíticos que ameaçam a União Europeia (UE).

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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, não mencionou a China nem a Rússia, mas a comunicação realça a necessidade de proteger as infra-estruturas e indústrias críticas ao nível da energia, computação, defesa e saúde, entre outras áreas estratégicas.

"No domínio da segurança económica, estamos a analisar um conjunto limitado de tecnologias de ponta e, neste caso, queremos garantir que não reforçam as capacidades militares de alguns países. Esta é basicamente a filosofia subjacente", explicou Ursula von der Leyen, em conferência de imprensa, em Bruxelas.

Em causa está o uso dual, civil e militar, de muitas tecnologias e materiais, pelo que haverá três áreas de controlo reforçado do investimento da UE para o resto do mundo e vice-versa, que incidirão sobre emprersas críticas, tecnologias avançadas e exportação.

A estratégia propõe a realização de uma avaliação exaustiva dos riscos para a segurança económica em quatro domínios:

  • riscos para a resiliência das cadeias de abastecimento, incluindo a segurança energética
  • riscos para a segurança física e cibernética das infra-estruturas críticas
  • riscos relacionados com a segurança tecnológica e a fuga de tecnologia
  • riscos de utilização das dependências económicas como "arma" ou de coerção económica
Heribert Proeppe/AP2002
Parques eólicos no mar são das infraestruturas críticas mais sensíveis a ataques externosHeribert Proeppe/AP2002

Colaboração estreita com o setor privado

As empresas privadas vão ser convidadas a colaborar com a Comissão Europeia e os governos dos Estados-membros para que se proteja melhor a inovação tecnológica produzida na Europa.

Se nos depararmos com posições de monopólio em determinadas tecnologias, se a Europa estiver a ser expulsa de algumas destas cadeias de fornecimento de tecnologia, penso que existe um risco real de segurança que temos de enfrentar.
Tobias Gehrke
Analista do centro de estudos ECFR

Alguns investimentos poderão ser demasiado arriscados se colocarem em causa a soberania ou autonomia industrial, por exemplo, pelo que os analistas consideram que é mais uma questão de prudência do que de protecionismo.

"Penso que não é uma estratégia muito protecionista, mas sim realista. É realista quanto à forma como a China e os Estados Unidos definem as tecnologias estratégicas em que querem liderar, e dominar determinadas cadeias de abastecimento", explicou Tobias Gehrke, analista do centro de estudos ECFR, em entrevista à euronews.

"Se isso acontecer, se nos depararmos com posições de monopólio em determinadas tecnologias, se a Europa estiver a ser expulsa de algumas destas cadeias de fornecimento de tecnologia, penso que existe um risco real ao nível da segurança que temos de enfrentar, também, através destes instrumentos", acrescentou o analista.

Atualmente, cada país decide sobre os controlos das exportações e alguns Estados-membros poderão mostrar-se reticentes em ceder mais poderes a Bruxelas.

Contudo, os acordos de investimento e comércio entre a UE e varias regiões do mundo já ditam grande parte das regras.

A proposta de estratégia será analisada pelos líderes dos 27 países na cimeira de Bruxelas, na próxima semana, e terá de ser aprovada pelo Parlamento Europeu.

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