UE prepara sanções contra golpistas no Níger

Chefe da diplomaciaq da UE, Josep Borrell
Chefe da diplomaciaq da UE, Josep Borrell Direitos de autor chema Moya/EFE/CHEMA MOYA
De  Mared Gwyn JonesIsabel Marques da Silva (trad.) com DPA
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A União Europeia (UE) vai tentar impor contra o Níger o mesmo tipo de medidas punitivas que a Comunidade dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) decidiu impor, disse o chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell, quarta-feira, após uma reunião dos ministros da Defesa.

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A UE está a trabalhar em planos para sancionar os líderes militares que tomaram o poder no Níger, em julho, disse Josep Borrell, após uma reunião informal dos ministros da Defesa do bloco, em Toledo, Espanha. Antes da reunião da UE, a Alemanha e a França, em particular, tinham defendido as sanções. 

A CEDEAO e a União Económica e Monetária da África Ocidental introduziram sanções financeiras desde que os golpistas derrubaram o governo democraticamente eleito do Presidente Bazoum, suspendendo as transações financeiras e congelando os bens nacionais. Os membros da Guarda Presidencial responsáveis pelo golpe também foram proibidos de viajar.

Borrell disse que tinha proposto aos ministros um novo quadro legislativo que permitiria à UE impor as suas próprias sanções aos golpistas.

Estamos a avançar com um regime de sanções autónomo para tomar medidas contra os golpistas, o trabalho já começou e amanhã os ministros dos Negócios Estrangeiros vão avançar com isso.
Josep Borrell
Chefe da diplomacia da UE

"Cabe à CEDEAO tomar decisões para contrariar este golpe militar e nós segui-lo-emos, tentando aplicar o mesmo tipo de sanções que eles decidiram", afirmou Borrell.

"Estamos a avançar com um regime de sanções autónomo para tomar medidas contra os golpistas, o trabalho já começou e amanhã os ministros dos Negócios Estrangeiros vão avançar com isso", acrescentou.

Michel Euler/Copyright 2023 The AP. All rights reserved.
Mohamed Bazoum, Presidente do Níger que foi deposto pelos militares golpistasMichel Euler/Copyright 2023 The AP. All rights reserved.

Quando questionado sobre se a UE estaria disposta a financiar uma intervenção militar da CEDEAO, Borrell não descartou essa possibilidade. "Estamos prontos a considerar qualquer proposta", afirmou.

O presidente da CEDEAO e o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Níger juntar-se-ão aos Ministros dos Negócios Estrangeiros da UE para novas discussões em Toledo, na quinta-feira.

O Níger é um país muito pobre, com cerca de 26 milhões de habitantes, que tem sido um parceiro importante da UE na luta contra o terrorismo islâmico e a migração ilegal.

Mais um golpe, agora no Gabão

A reunião teve lugar horas depois de os militares do Gabão terem afirmado na televisão nacional que estavam a anular os resultados das eleições presidenciais e a tomar o poder neste país da África Central.

"É evidente que o golpe de Estado no Níger está a abrir uma nova era de instabilidade numa região que já é muito frágil", afirmou Borrell.

O Níger era visto como o último bastião da democracia na região do Sahel quando se tornou a mais recente de uma série de Estados que caíram nas mãos de juntas militares. 

A UE apelou à reintegração do Presidente Bazoum e suspendeu o seu apoio orçamental e a cooperação em matéria de segurança.

Estima-se que cerca de 40% do orçamento total do país deverá provir de apoio orçamental externo e de empréstimos.

Apoio à Ucrânia

Durante a reunião, os ministros da defesa da UE debateram, também, os compromissos a longo prazo de apoio à segurança na Ucrânia. Borrell revelou que a missão de assistência militar da UE deverá atingir o objetivo de formar 30 mil soldados ucranianos até ao final de outubro, propondo-se aumentar esse objetivo para 40 mil até ao final do ano.

A UE pretende formar pilotos ucranianos para utilizarem caças F-16 como parte da sua missão, afirmou.

Os ministros debateram, igualmente, a necessidade de aumentar o investimento europeu em munições. Foram fornecidas à Ucrânia munições no valor de cerca de 1,1 mil milhões de euros, o que fez baixar muito o stock dos Estados-membros e que exige novos acordos-quadro com a indústria de defesa europeia para colmatar as lacunas nas aquisições.

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