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Zelenskyy: Ausência de Biden na cimeira de paz seria uma "ovação de pé" para Putin

O Presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy falou em Bruxelas depois de se ter encontrado com o Primeiro-Ministro belga Alexander De Croo.
O Presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy falou em Bruxelas depois de se ter encontrado com o Primeiro-Ministro belga Alexander De Croo. Direitos de autor Omar Havana/Copyright 2024 The AP. All rights reserved.
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De  Jorge LiboreiroShona Murray
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Artigo publicado originalmente em inglês

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, alerta que a ausência do presidente dos EUA, Joe Biden, na cimeira de paz, em meados de junho, na Suíça, representaria uma "ovação de pé" para o líder russo, Vladimir Putin.

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A ausência do presidente norte-americano, Joe Biden, na cimeira de paz agwndada representaria uma "ovação de pé" a Vladimir Putin, líder da Rússia, disse o presidente ucraniano, durante a passagem por Bruxelas, terça-feira, para assinar acordos bilaterais com o governo da Bélgica.

"Gostaria que o presidente Biden estivesse pessoalmente presente e estou ciente de que os Estados Unidos apoiam esta cimeira, mas não sabemos a que nível. Penso que não seria uma decisão forte (se não estiver), com todo o respeito por todas as pessoas nos Estados Unidos da América, porque nos ajudam muito", disse Zelenksyy.

Embora o o governo dos Estados Unidos tencione participar na reunião, prevista para 16 e 17 de junho, na Suíça, ainda não confirmou se o presidente - importante defensor do governo de Kiev e da aliança transatlântica - será o representante do país.

É provável que Biden participe na cimeira do G7, de 13 a 15 de junho, mas poderá regressar aos EUA logo a seguir para participar numa angariação de fundos para a campanha eleitoral, em Los Angeles, ao lado de George Clooney e Julia Roberts, segundo a agência de notícias Bloomberg.

"Acredito que esta cimeira precisa do presidente Biden e outros líderes precisam do presidente Biden porque valorizam a reação dos EUA, pelo que a sua ausência seria apenas um aplauso para Putin, uma ovação de pé", acrescentou Zelenskyy.

Conferência vis atraçar roteiro para a paz

A iniciativa suíça tem como objetivo desenvolver a fórmula de paz de 10 pontos, apresentada pelo presidente da Ucrânia, e elaborar um roteiro para um futuro processo de paz. Os principais temas da agenda serão a segurança nuclear, a liberdade de navegação, a segurança alimentar e o apoio humanitário.

Apelamos aos líderes mundiais: se desejam a paz, então vamos reunir-nos na cimeira da paz. É absolutamente justo que preparemos esta plataforma em conjunto com outros parceiros. Não há necessidade de procurar alternativas. Por favor, venham à cimeira, temos um microfone aberto.
Volodymyr Zelenskyy
Presidente da Ucrânia

Até à data, 70 Estados e organizações confirmaram a sua presença entre as 160 delegações convidadas, de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros suíço. Metade dos participantes confirmados são europeus, incluindo a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o chanceler alemão, Olaf Scholz.

A Rússia não foi convidada e convocou uma reunião dos BRICS (grupo que reúne líderes do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) sobre assuntos externos, nos dias que antecederam a cimeira suíça.

Entretanto, os governos da China e do Brasil, dois países que o Ocidente acusou de não terem criticado a invasão russa, publicaram, na semana passada, uma declaração conjunta insistindo na necessidade de incluir tanto a Ucrânia como a Rússia em qualquer conferência de paz. Seguindo a política de Pequim, a declaração não menciona os territórios ocupados no Leste da Ucrânia.

"Todas as partes devem criar condições para a retomada do diálogo direto e pressionar para o desanuviamento da situação até à concretização de um cessar-fogo abrangente", escreveram os dois países.

"A China e o Brasil apoiam a realização de uma conferência internacional de paz num momento oportuno, reconhecido tanto pela Rússia como pela Ucrânia, com a participação igualitária de todas as partes, bem como uma discussão justa de todos os planos de paz", dizia, ainda, a declaração.

'Ou se é pela paz ou pela guerra'

A possível ausência de Biden, os eventos paralelos organizados pela Rússia e a declaração sino-brasileira ensombraram a cimeira de paz, levantando questões sobre se o seu resultado será uma representação credível da comunidade internacional.

Zelenskyy fez um novo apelo à participação de todos os países - mesmo que discordem ou tenham outras ideias sobre a forma como a guerra deve terminar - e explicou que ainda está à espera de uma resposta formal da China e do Brasil, mas salientou que "todas as vozes são importantes", desde os grandes aos pequenos Estados.

"Apelamos aos líderes mundiais: se desejam a paz, então vamos reunir-nos na cimeira da paz. É absolutamente justo que preparemos esta plataforma em conjunto com outros parceiros", disse na deslocação a Bruxelas. "Não há necessidade de procurar alternativas. Por favor, venham à cimeira, temos um microfone aberto".

"Se querem guerra, vão à reunião da máfia que Putin está a organizar. Tenham a certeza que Putin tem medo desta cimeira de paz", acrescentou.

Zelenskyy instou os países que se mantiveram à margem da cimeira a falarem e a escolherem a sua posição: "Se os seus líderes se mantiverem em silêncio, isso é ainda pior", disse aos jornalistas, "porque ou se é pela paz ou pela guerra. Se ficarem em silêncio, estão satisfeitos com o que está a acontecer".

Em reação às observações de Zelenskyy, a Comissão Europeia sublinhou a importância da próxima cimeira de paz e disse que estava a trabalhar "muito intensamente" para garantir a "representação mais ampla possível".

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