Virginie Joron, eurodeputada do Patriotas para a Europa, denunciou o que qualificou de "falsas alegações", afirmando que foi colocada numa lista negra pelo Parlamento Europeu. Será que esta afirmação tem algum peso?
A eurodeputada francesa Virginie Joron, membro do grupo de extrema-direita Patriots for Europe , afirmou que vai intentar uma ação judicial devido ao que descreve como falsas alegações de que faz parte de uma "lista negra" do Parlamento Europeu.
Joron, também membro do partido francês Rassemblement National, anunciou no dia X que iria apresentar uma queixa contra "vários meios de comunicação social" por divulgarem deliberadamente informações falsas e difamatórias, em particular a alegação de que foi colocada numa "tal lista negra."
A eurodeputada insiste que a alegação é "completamente falsa" e que foi utilizada para a desacreditar politicamente antes das eleições autárquicas em Estrasburgo, onde é candidata à presidência da Câmara.
Em comunicado, Joron disse que o presidente do Parlamento Europeu confirmou por escrito "que não existe nenhuma lista negra, que nunca apareci numa e que não estou sujeita a qualquer proibição".
O Cubo, equipa de verificação de factos da Euronews, contatou os representantes de Joron para comentar o assunto, mas não obteve resposta a tempo da publicação.
De onde vem a alegação da "lista negra"?
As referências a uma suposta lista negra remontam a um artigo publicado em 2021 pelo EUobserver, que relatava que o Parlamento Europeu tinha sancionado Joron, juntamente com outros sete eurodeputados, por participarem naquilo que descrevia como falsas viagens de observação eleitoral.
Os eurodeputados foram acusados de participar em missões de observação ligadas aos "processos eleitorais" russos na Crimeia - que Moscovo anexou ilegalmente em 2014.
A Plataforma Europeia para as Eleições Democráticas (EPDE), uma rede de ONGs de monitorização de eleições e democracia, refere que Joron participou na "votação totalmente russa" de 2020 sobre alterações constitucionais, fazendo parte de um grupo de políticos estrangeiros que identifica como "peritos internacionais" politicamente tendenciosos, em vez de observadores eleitorais independentes.
O Cubo analisou um relatório de despesas que mostra que um dos eurodeputados, Thierry Mariani, participou em missões de observação eleitoral na Crimeia em 2020 e no Cazaquistão em 2021.
De acordo com o documento, Mariani foi convidado pela Câmara Cívica da Federação Russa e pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do Cazaquistão, que posteriormente pagou os voos e os hotéis.
O Cubo não conseguiu encontrar nenhum documento correspondente disponível publicamente para Joron.
A emissora francesa France Info noticiou que, em consequência da sua participação, os oito eurodeputados foram excluídos das missões oficiais de observação eleitoral da UE (MOE) e arriscavam-se a ser suspensos.
Existiu alguma vez uma lista negra formal?
O relatório da plataforma EPDE acusa a Rússia de fabricar legitimidade internacional ao convidar seletivamente políticos estrangeiros, como Joron, para atuarem como "observadores internacionais", em vez de recorrer a missões reconhecidas internacionalmente, como as organizadas pela Organização para a Segurança e Cooperação na Europa.
No entanto, uma fonte familiarizada com os procedimentos disse ao O Cubo que os eurodeputados não foram colocados numa "lista negra" e que não existe qualquer lista formal.
Joron também não está atualmente proibida de participar em missões de observação organizadas pelo Parlamento Europeu.
Em 2021, vários eurodeputados, incluindo Virginie Joron, foram sim incluídos numa lista de sanções ucranianas ao abrigo de uma decisão do Conselho de Segurança e Defesa Nacional promulgada por decreto presidencial, uma decisão que os analistas jurídicos dizem estar ligada a visitas à Crimeia ocupada pela Rússia.