O chefe da diplomacia norte-americana afirma que Washington "quer aliados mais fortes na Europa, que assumam mais responsabilidades", ao encontrar-se com o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, em Bratislava, este domingo.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que os Estados Unidos "não pedem aos aliados europeus para serem vassalos, mas que sejam menos dependentes de Washington". Rubio fez estas observações numa conferência de imprensa conjunta em Bratislava, após ter mantido conversações com o primeiro-ministro eslovaco Robert Fico.
A Eslováquia é a primeira paragem da viagem de Rubio pela Europa Central, depois de ter participado na Conferência de Segurança de Munique nos últimos dias.
Depois da Eslováquia, Rubio deslocar-se-á à Hungria, onde se reunirá com o primeiro-ministro Viktor Orbán para discutir as relações bilaterais e reforçar os laços com os aliados de Trump na região.
Tanto Fico como Orbán são aliados-chave da administração Trump na Europa, alinhados com as políticas anti-imigração de Washington e partilhando a visão de Trump sobre a guerra na Ucrânia.
Rubio minimiza preocupações com a redistribuição de tropas
Em resposta à pergunta de um jornalista, o chefe da diplomacia norte-americana minimizou a recente decisão dos EUA de retirar um número limitado de tropas do continente. "Não vamos abandonar a NATO, podemos deslocar alguns milhares de tropas de um país para outro, mas sempre foi esse o caso", disse Rubio aos jornalistas.
"Não queremos que a Europa seja dependente de nós, não estamos a pedir à Europa que seja vassala dos Estados Unidos. Queremos ser vossos parceiros. Queremos trabalhar com a Europa. O nosso ponto de vista é: quanto mais fortes forem, mais fortes são os membros da NATO, mais forte é a NATO".
No sábado, na sua intervenção na Conferência de Segurança de Munique, Rubio afirmou que "os EUA e a Europa partilham um destino comum", mas advertiu que "o declínio cultural e económico da Europa tem de ser invertido" e que "a migração em massa tem de ser travada".
Em janeiro, muitos líderes da UE manifestaram preocupação com o facto de as ambições do presidente dos EUA, Donald Trump, de se apoderar da Gronelândia poderem prejudicar a NATO. Esta semana, o comissário europeu da Defesa afirmou que "Bruxelas deveria preparar-se para substituir as tropas norte-americanas no continente".
Rubio recusou-se a discutir em pormenor as recentes negociações com a Dinamarca sobre a Gronelândia. O primeiro-ministro eslovaco também desvalorizou as críticas do país à incursão militar dos EUA na Venezuela, que levou à detenção de Nicolás Maduro.
Em janeiro, Robert Fico afirmou que "a operação foi uma violação da soberania e do direito internacional".
"Muitos países não gostaram do que fizemos na Venezuela. Não faz mal. Era do nosso interesse nacional. E depois? Isso não significa que não vamos ser amigos", afirmou o secretário de Estado norte-americano.
Rubio também sublinhou que a Europa Central será uma região chave para o compromisso da atual administração com a Europa, durante a segunda presidência de Trump.
Fico critica apoio da UE à Ucrânia
Fico e Rubio discutiram a cooperação nuclear e militar e os esforços de paz em curso para pôr termo à guerra na Ucrânia, que completa quatro anos no final deste mês.
O primeiro-ministro eslovaco criticou a abordagem da UE, que continua a apoiar financeira e militarmente a Ucrânia. Recordou que, na cimeira da UE de dezembro, a Eslováquia, a Hungria e a República Checa se abstiveram quando a UE aprovou um pacote de apoio de 90 mil milhões de euros para a Ucrânia.
A UE concede um empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia, 60 mil milhões de euros são gastos em armamento e 30 mil milhões de euros são para que a Ucrânia possa operar por si própria.
"Estou orgulhoso por não termos participado neste processo no Conselho Europeu", acrescentou Fico, referindo que continuar a apoiar financeiramente Kiev só irá prolongar a guerra e aumentar o número de mortos de ambos os lados. "Sabem o que vai acontecer? Em dezembro, vamos contar os próximos 100.000 mortos do lado da Rússia e da Ucrânia. O único resultado será a Rússia entrar mais profundamente na Ucrânia", sublinhou o líder eslovaco.
Fico também criticou duramente a decisão da União Europeia de eliminar gradualmente as importações russas de combustíveis fósseis até 2027, afirmando que esta tem consequências desastrosas para o seu país e para outros: "Isto vai criar grandes problemas, uma vez que não temos terminais de Gás Natural Liquefeito (GNL)", disse.
Fico também falou sobre as ambições da Ucrânia em relação à UE e elogiou o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, por ter falado claramente sobre a sua rejeição.
"Dizemos que a Ucrânia pode aderir à UE, desde que cumpra todos os critérios necessários. Não podemos mentir agora à Sérvia, ao Montenegro ou à Albânia. Estes países estão 100 vezes mais bem preparados para a adesão do que a Ucrânia", afirmou Fico.
O primeiro-ministro eslovaco também criticou o facto de Kiev estar a utilizar a questão das transferências de petróleo para a Hungria e para o seu país como arma de chantagem política.
Rubio encontra-se com Orbán na Hungria
Marco Rubio continua a digressão pela Europa Central na Hungria esta segunda-feira, onde se vai encontrar com o primeiro-ministro Viktor Orbán.
De acordo com o Departamento de Estado norte-americano, as conversações centrar-se-ão no "processo de paz para resolver conflitos globais" e na parceria energética entre os EUA e a Hungria.
Orbán, que também é um crítico declarado da União Europeia e um firme apoiante de Trump, foi o primeiro líder europeu a declarar a adesão do seu país à iniciativa do Conselho da Paz de Trump, que muitos veem como uma tentativa de substituir a ONU e o seu papel.
No final do ano passado, os EUA concederam à Hungria uma isenção de um ano das tarifas secundárias que visam os países que importam petróleo russo.
Em dezembro, a Hungria assinou um acordo com o gigante energético norte-americano Chevron para importar 2 mil milhões de metros cúbicos de gás natural liquefeito (GNL) de Washington.
Trump também apoia o primeiro-ministro Orbán nas eleições gerais da Hungria, onde o atual primeiro-ministro enfrenta a sua eleição mais difícil em meados de abril. O partido da oposição Tisza, liderado por Péter Magyar, de centro-direita, está a liderar as sondagens.