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"Operação Influencer": António Costa recusa comentar escutas que contradizem a sua versão

António Costa
António Costa Direitos de autor  AP Photo
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De Ana Filipa Palma & Euronews
Publicado a Últimas notícias
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As escutas do “Caso Influencer”, divulgadas pela TVI, sugerem que António Costa terá faltado à verdade quando se demitiu em 2023, mas o ex-primeiro-ministro recusou fazer comentários.

O presidente do Conselho Europeu foi um dos oradores convidados da 47.ª edição dos Colóquios de Relações Internacionais, organizados pela Escola de Economia, Gestão e Ciência Política da Universidade do Minho, e foi abordado pelos jornalistas sobre as escutas, agora divulgadas pela TVI, relativas à "Operação Influencer”, que levaram à queda do Governo de maioria em 2023.

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António Costa recusou-se a fazer comentários. “Fui ouvido há quase dois anos, a meu pedido. Desde aí, não faço ideia do que aconteceu”, garantiu, referindo já ter requerido várias vezes o acesso ao processo, mas que ainda não lhe foi concedido. “Não vou comentar o que não conheço”, afirmou esta terça-feira, em Braga, após a sessão de abertura do evento.

Esta segunda-feira, dia 27 de abril, a TVI emitiu uma reportagem onde detalha as escutas da "Operação Influencer”, que mostram que António Costa faltou à verdade na conferência de imprensa em que se demitiu como primeiro-ministro, em 2023, ao garantir nunca ter tido qualquer conversa com Diogo Lacerda Machado, seu melhor amigo e consultor de uma das empresas que investiu milhões de euros no megacentro de processamento de dados de Sines, sobre os negócios do lítio e do hidrogénio.

As escutas divulgadas não indicam o mesmo e, numa conversa em 2022, António Costa terá dito a Diogo Lacerda Machado: “Já sei que foste lá dar boas notícias ao Vítor”, referindo-se ao seu chefe de gabinete, Vítor Escária.

A conversa continuou: “O projeto está com uma dinâmica extraordinária e, ao que parece, os americanos vão finalmente entrar a sério em Sines, de maneira que é uma coisa interessante, e eu achei que se justificava saberes disso e saberem disso, está bem?”, comentou Lacerda Machado, tendo António Costa respondido: “É bom que eles se entusiasmem, porque o ambiente aqui na Europa é muito diversificado em relação aos americanos.”

Noutra conversa divulgada pela reportagem da TVI, João Galamba, à época secretário de Estado, terá trocado mensagens com a sua chefe de gabinete, Eugénia Correia, onde se mostrou orgulhoso pelo desenvolvimento das negociações: “Ó pá, entrei com um metro e setenta e nove na reunião e saí com três metros e vinte. Tu estás a ver o que é um gajo que vai investir três ponto cinco mil milhões de euros?” E ainda se autovalorizou: “Só destaca o nome de um governante (…) Ele disse: ‘We want to thank Mr. Galamba’”, referindo palavras dos investidores.

Galamba foi mais longe e comentou que “um dos advogados deste megaprojeto é o grande amigo do primeiro-ministro. Ou seja, como ele está nas reuniões e vê o que a nossa equipa está a fazer pelo projeto, ele conta ao PM”. Estas são conversas de 2021.

João Galamba, ministro das Infraestruturas, Manuel Pizarro, da Saúde, e João Costa, da Educação, da esquerda para a direita, assistem a um debate no Parlamento
João Galamba, ministro das Infraestruturas, Manuel Pizarro, da Saúde, e João Costa, da Educação, da esquerda para a direita, assistem a um debate no Parlamento AP Photo

O atual presidente do Conselho Europeu foi ouvido 22 vezes em conversas com suspeitos da “Operação Influencer”, sem conhecimento por parte dos tribunais superiores. As gravações chegaram ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ) apenas em 2025, mas não podem ser usadas contra o antigo primeiro-ministro, porque chegaram já depois do prazo legal estipulado.

“Operação Influencer”: o caso que levou à queda do Governo

António Costa apresentou a sua demissão do cargo de primeiro-ministro a 7 de novembro de 2023, dia em que foram noticiadas buscas em diversos ministérios e na sua residência oficial, no Palácio de São Bento.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) divulgou, nesse dia, um comunicado em que confirmava que João Galamba era arguido e que António Costa também seria investigado autonomamente pelo Supremo Tribunal de Justiça.

“A dignidade das funções de primeiro-ministro não é compatível com qualquer suspeição sobre a sua integridade, a sua boa conduta e, menos ainda, com a suspeita da prática de qualquer ato criminal”, afirmou António Costa na declaração em que anunciou que apresentara a sua demissão ao Presidente da República.

Perante o caso, e apesar das alternativas apresentadas por Costa para o executivo, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, optou por dissolver a Assembleia da República e convocar eleições legislativas antecipadas.

O processo levou também à demissão do então chefe de gabinete do primeiro-ministro, Vítor Escária, constituído arguido depois de lhe terem sido apreendidos 75.800 euros em notas, guardadas em livros e caixas no seu gabinete.

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