Comissão Europeia lança alerta para o impacto económico do conflito, avisando que as indústrias intensivas em energia enfrentam maior risco de perda de postos de trabalho
Até 1,3 milhões de postos de trabalho em toda a UE estão em risco devido à guerra em curso no Médio Oriente, afirmou na quarta-feira a comissária europeia para o Emprego, Roxana Mînzatu.
O alerta foi lançado durante a apresentação do Pacote da Primavera do Semestre Europeu, uma publicação semestral do executivo europeu que dá orientações aos 27 Estados-membros sobre as prioridades económicas da União.
"Devido à guerra no Médio Oriente, até 1,3 milhões de postos de trabalho estão em risco, em particular nas indústrias intensivas em energia", disse Mînzatu em conferência de imprensa.
"Quero também sublinhar que o aumento dos custos da energia terá um impacto particularmente negativo nos agregados com rendimentos mais baixos na Europa, razão pela qual recomendamos que todos os Estados-membros adotem medidas específicas para apoiarem os grupos mais vulneráveis", acrescentou a comissária.
O conflito, que começou quando Israel e os Estados Unidos lançaram ataques contra o Irão, no final de fevereiro deste ano, já teve efeitos concretos na economia europeia, com a subida dos preços da energia. Segundo as mais recentes previsões económicas europeias, publicadas em maio, a guerra abrandou o crescimento europeu e está a pressionar a inflação em alta.
Os dados económicos sobre crescimento e inflação variam fortemente na UE, uma disparidade que a Comissão considera uma ameaça à competitividade.
Principais prioridades
O pacote dedica um espaço significativo ao emprego, centrando-se na promoção de postos de trabalho de qualidade e na forma como os países da UE podem enfrentar carências persistentes de trabalhadores qualificados em sectores estrategicamente importantes.
"Melhorar os resultados educativos e alinhar melhor as competências das pessoas com as necessidades do mercado de trabalho continuam a ser prioridades centrais, também para responder à falta de mão de obra e de competências, que é particularmente aguda em sectores estratégicos como a cibersegurança, a computação quântica, a inteligência artificial e os semicondutores", refere o Pacote do Semestre.
Na conferência de imprensa, Mînzatu afirmou que 77% das empresas europeias indicam que a falta de competências continua a ser um obstáculo importante ao investimento. Identificou as más condições de trabalho como o principal fator destas carências.
"Não conseguimos atrair talento, reduzir as carências nem melhorar os rendimentos das pessoas sem garantirmos boas condições de trabalho", afirmou a comissária.
Impulso competitivo
Desde o início do atual mandato, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, fez da competitividade uma das maiores prioridades da instituição, numa altura de crescentes incertezas geopolíticas.
O mais recente Pacote do Semestre reflete esta opção, ao centrar-se na forma como a Europa pode reforçar a sua posição no palco global.
Em particular, o objetivo do bloco é reduzir as barreiras económicas no mercado único, criar um ambiente mais favorável às empresas e ao capital e minimizar as dependências estratégicas, sobretudo da China e dos Estados Unidos.
Para isso, a Comissão incentiva os Estados-membros a seguirem uma política industrial mais robusta, a aumentarem o investimento nos mercados de capitais e a avançarem com uma agenda de simplificação que, entre outros aspetos, reduza os encargos administrativos nos sectores privado e público.
Em paralelo, a Comissão trabalha para acelerar as reformas económicas ao nível da UE, embora os progressos dependam em grande medida da disposição dos Estados-membros para agir, um desafio de coordenação que se arrasta há muito tempo.