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O que disse Mark Zuckerberg no Senado dos EUA?

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REUTERS/Leah Millis
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O presidente e fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, assumiu esta terça-feira a culpa ante o Senado dos Estados Unidos pelo escândalo Cambridge Analytica, a empresa britânica que utilizou dados de milhões de utilizadores da rede social para a campanha eleitoral de Donald Trump.

Zuckerberg, que afirmou não ter a Cambridge Analytica medido adequadamente "a responsabilidade" de fornecer dados de forma ilegal para a campanha eleitoral do Presidente dos Estados Unidos, em 2016, vincou na audição do comité de Justiça do Senado norte-americano que "isso foi um grande erro".

Inicialmente foi avançado que o número de utilizadores afetado rondava os 50 milhões. Dias mais tarde, o Facebook admitiu que o número ascendia aos 87 milhões de utilizadores.

Antes das perguntas dos senadores, Mark Zuckerberg apresentou uma declaração em que se penitenciava pelos erros, mas também descrevia o Facebook como uma "empresa idealista" e que não calculou devidamente o potencial uso das ferramentas da rede social para fins negativos.

(Leia aqui essa mensagem na íntegra)

Um dos momentos mais marcantes foi a troca de palavras entre o multimilionário de 33 anos e o senador Dick Durbin. O político questionou Mark Zuckerberg se este estaria disponível para revelar o nome do hotel onde ficou hospedado ou o nome das pessoas com as quais trocou mensagens na última semana.

Perante a surpresa e a recusa do presidente executivo da maior rede social do mundo, Durbin resumiu essa postura ao que estava em discussão na audiência: o acesso e o respeito pela privacidade.

Colaboração com investigação sobre a interferência russa

Mark Zuckerberg assumiu ainda que a companhia está a trabalhar com Robert Mueller, o procurador responsável pela investigação à eventual interferência russa nas eleições presidenciais de 2016, cujas diligências têm sido criticadas pela Casa Branca.

"Não estou ao corrente de uma convocação, mas sei que estamos a trabalhar em conjunto", disse Mark Zuckerberg, em resposta a uma questão de um membro do comité de Justiça do Senado norte-americano, acrescentando: "Há gente na Rússia cujo trabalho é explorar os nossos sistemas e outros sistemas de Internet também".

Em virtude do acesso e da utilização indevida de dados dos utilizadores, o empresário anunciou também que o 'gigante tecnológico' irá oferecer recompensas a quem denunciar abusos ou interferências. Na mesma linha de raciocínio, Zuckerberg frisou que a sua prioridade era evitar que voltassem a registar-se tentativas de manipulação de eleições por todo o mundo em 2018.

Segundo um comunicado da empresa, o novo programa ‘Data Abuse Bounty’ irá “recompensar as pessoas com conhecimento em primeira mão e prova de casos em que um aplicativo na plataforma do Facebook reúne e transfere dados pessoais para outra parte para venda, roubo ou uso para uma finalidade específica, fraude ou para fazer influência política”.

“Recompensaremos com base no impacto de cada relatório”, avança a empresa, acrescentando que irão analisar “todos os relatórios legítimos” e responder “o mais rápido possível”.

“Se confirmarmos o abuso de dados, encerraremos o aplicativo ofensivo e tomaremos medidas legais contra a empresa que está a vender ou a comprar os dados, se necessário. Pagaremos à pessoa que relatou o problema e também alertaremos aqueles que acreditamos que serão afetados”, frisa a empresa.

Reações e segunda audiência

A prestação de Mark Zuckerberg foi recebida por alguns analistas de forma genericamente positiva, com o multimilionário a assumir uma postura humilde e cooperante com os senadores. No entanto, muitos também assinalam que tal se deve ao alegado desconhecimento dos senadores em relação ao funcionamento do Facebook.

A bolsa de Nova Iorque também apreciou as primeiras declarações de Zuckerberg, com a companhia a registar a maior subida diária desde 2016 e a arrastar Wall Street para uma subida de 1,79 por cento.

Esta foi apenas a primeira audiência de Mark Zuckerberg. O fundador e presidente executivo do Facebook vai esta quarta-feira à Câmara dos Representantes para enfrentar as questões dos congressistas.