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O "segundo campo" de Moria

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O "segundo campo" de Moria

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Criado para ser um ponto de passagem, o campo de refugiados de Moria, na ilha de Lesbos, foi erguido em cima de uma antiga base militar. A maioria dos recém-chegados sírios vive dentro deste espaço que se foi alargando até surgir uma espécie de segundo campo, onde se abrigam sobretudo afegãos e paquistaneses.

Maryam tem 23 anos, veio do Afeganistão e quer chegar até à Alemanha. "É muito mau. Não há médicos suficientes para tratar os nossos filhos. Não há medicamentos suficientes. Não há cobertores suficientes, não há comida suficiente. Todos os nossos filhos ficaram doentes. Se não nos deixam ir para a Europa, então que melhorem as condições aqui", diz.

Os mais novos vão-se entretendo com partidas de futebol improvisadas entre as oliveiras. Muhammad, afegão também, prefere o karaté. Gostava de ser atleta profissional em França. "Eu achava que vínhamos para um bom sítio, que nos iam dar um sítio seguro para viver. Mas, quando cheguei, vi que estava enganado", conta-nos.

Vários ativistas e ONG têm chamado a Moria "a vergonha da Europa" e pedem às autoridades que retirem daqui os mais vulneráveis, incluindo as crianças. O governo grego declara que, nos últimos quatro meses, já fez sair mais de 4 mil pessoas, mas salienta que há cada vez mais refugiados a chegar a esta ilha.