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Casamento homossexual reprovado em referendos não vinculativos

Apoiantes do casamento homossexual derrotados pelo voto popular
Apoiantes do casamento homossexual derrotados pelo voto popular -
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Reuters/Tyrone Siu
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Os eleitores de Taiwan rejeitaram em voto popular a legalização do casamen

A Coligação pela Igualdade no Matrimónio não se deixa abalar pelo escrutínio popular e reafirma a decisão do governo de respeitar a ordem judicial do ano passado de legalizar a união civil entre pessoas do mesmo sexo.

"O referendo é ilegal, vai contra a Constituição, divide e fere profundamente a sociedade", refere o grupo de apoio à igualdade matrimonial.

"Os homossexuais fazem parte desta sociedade. Não devemos ser excluídos do sistema público. Todas as famílias têm um propósito e um valor na respetiva existência. Todas as pessoas deste mundo têm um propósito único", sublinha Jennifer Lu, da Coligação pela Igualdade no Matrimónio

A reprovação popular do casamento homossexual, não sendo vinculativa como garantiu o governo, está a ser vista como mais um golpe na força do partido no poder e um apoio à oposição mais próxima da China, com quem o executivo da ilha Formosa mantém um diferendo por causa da política "Uma Só China."

O casamento homossexual foi o motivo de três referendos distintos propostos este sábado por organizações diferentes, umas a favor e outras contra.

Os grupos mais conservadores perguntaram aos eleitores se a legislação existente deveria manter-se inalterada, enquanto os ativistas LGBT perguntavam se a legislação deveria ser alterada para incluir os casais homossexuais.

A vitória do "não" aos casamentos entre pessoas do mesmo sexo foi descrita pela Coligação da Felicidade da Nossa Futura Geração como "uma vitória de todas as pessoas que apoiam os valores da família e a educação das futuras gerações."

O governo de Taiwan garante que o resultado dos referendos não vai impedir a legalização dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, embora os promotores dessa mudança receiem que por causa destes referendos a mudança da lei perca força.

Uma dúvida que ainda se irá manter é se a legalização passará apenas por dar proteção legal a casais homossexuais ou se o matrimónio entre pessoas do mesmo sexo irá de facto ser reconhecido na legislação, o que seria inédito na Ásia.

Taiwan atravessa entretanto uma crise política após a derrota do partido no poder nas recentes eleições municipais. O resultado levou a presidente Tsai Ing-wen a demitir-se da liderança do Partido Progressivo Democrático. Por outro lado, a presidente de Taiwan recusou o pedido de demissão do primeiro-ministro William Lai, que também havia colocado o lugar à disposição.