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Dia dos trabalhadores da linha da frente

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Dia dos trabalhadores da linha da frente
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Padeiros, caixas de supermercado ou motoristas têm algo em comum em França: trabalham desde o início da pandemia com pressão adicional e em nalguns casos sem compensação financeira.

Chantal Corret e o marido levantam-se todos os dias antes das 5 da manhã para abrir a porta da padaria. Para além do pão, vendem bolos e comida pronta a levar. Para tanta oferta, só falta uma coisa: clientes suficientes. A faturação caiu 50 por cento - no limite para receber o apoio que o Estado criou para empresas em dificuldade. Enquanto espera para fazer o balanço final das perdas, a proprietária do estabelecimento pede mais transparência sobre os programas de apoio.

Diz que o governo se tem focado principalmente nos restaurantes e pede respostas para o resto do comércio "que luta com grandes dificuldades no aprovisionamento."

Nova realidade no comércio

Em França, a maior parte das empresas está a funcionar em câmara lenta. É assim há cerca de sete semanas. Mas há excepções: os supermercados têm reforçado a capacidade de resposta e muitos empregados estão a trabalhar mais do que o normal.

Com restrições à circulação, os franceses recorrem ao comércio de proximidade para fazer as compras. Os responsáveis deste supermercado contam que os clientes compram muito mais do que é costume. As regras de higiene são rígidas, mas os salários mantêm-se modestos complementados apenas pelas horas extra que os trabalhadores são obrigados a fazer.

Baptiste Lamier, caixa de supermercado, considera que não é tido em conta "o risco e a atmosfera de ansiedade" que representa trabalhar neste contexto. Conta ainda que o stress do trabalho é agravado pela "pressão da família" que se sente insegura.

O presidente francês reconheceu a importância e o risco destes trabalhadores essenciais e anunciou um bónus adicional de mil euros para quem trabalha no grande retalho alimentar.

Dia do trabalhador em silêncio

Sem bónus ou compensação de risco, os motoristas dos transportes públicos estão também nesta linha da frente.

Sébastien Delahaye trabalha na rede de autocarros de Lyon. Está com redução de horário desde o início do confinamento: menos cinco dias por mês e menos retribuição. Desta nova realidade, retira apenas dois pontos positivos: o reforço das medidas de prevenção de contágio, que o fazem sentir seguro quando está a conduzir, e o reconhecimento pública da utilidade da profissão "para quem tem de ir às compras ou trabalhar".

Sem protestos nas ruas, o Dia do Trabalhador não perde sentido. A luta faz-se este ano em silêncio num contexto social marcado por taxas de desemprego galopantes e um aumento da precariedade.