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O drama dos trabalhadores indocumentados

O drama dos trabalhadores indocumentados
Direitos de autor Alessandra Tarantino/Copyright 2020 The Associated Press. All rights reserved
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De  Nara MadeiraGiorgia Orlandi
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Regulamentação governamental parece não resolver o drama dos trabalhadores indocumentados em Itália já que os empregadores não ajudam à resolução do problema.

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Os trabalhadores agrícolas estrangeiros, maioritariamente sem documentos, vivem uma situação dramática em Itália. 

As autoridades, devido à Covid-19, tentaram regularizar a situação, regulamentando-a - um contrato de trabalho dá lugar a autorização de residência - mas nas duas primeiras semanas de junho apenas 32.000 pessoas, que normalmente nem trabalham na agricultura, entregaram os papéis. O prazo foi alargado até agosto mas está-se muito longe da meta definida pelo governo 220 mil. A adesão dos empregadores é quase nula.

Cerca de 3000 mil pessoas vivem num acampamento improvisado e trabalham numa das explorações locais. Kenneth veio do Gana e explica que não tem outra opção. Precisa de comer, de ganhar a vida, sem roubar. "Ainda que ali trabalhem como escravos e sem contrato", diz.

O decreto-lei estabelece que, em alguns casos, os empregadores podem inscrever-se em nome dos trabalhadores e pagar uma taxa fixa de 500 euros, mas a prática não é comum.

"Trabalhamos muito, muito, mas nenhum dos nossos chefes nos ajuda para que possamos tratar dos papéis", explica Kenneth.

Viver neste lugar é uma experiência "horrível. Não há casa de banho e não tiveram água durante vários anos, só há alguns meses passaram a ter", adianta a correspondente da euronews em Itália.

E em termos de alojamento não é melhor. "Há 10 migrantes a dormir num quarto", explica Kenneth. "Se a Covid chegar aqui, o que vamos fazer? Vamos todos morrer", desabafa.

Há 7 anos que Mikael, um migrante dos Camarões, tenta conseguir os papéis. Como muitos destes trabalhadores recebe apenas três euros por hora, bem abaixo do salário mínimo italiano.

Mas "sem documentos não se pode fazer nada. Não podemos pagar impostos e, ao fazer um trabalho não declarado, é o chefe que recebe todo o dinheiro, sem os negros os italianos não poderiam sobreviver", explica.

Estima-se que apenas 50 das 3000 pessoas que aqui vivem se tenham inscrito até porque não é fácil. Um trabalhador ilegal, não identificado, explica que levou os papéis ao seu chefe e que ele lhe respondeu_ "que não tem nada a ver com isso"_.

De acordo com um sindicato a desvantagem da lei é que tem muitos requisitos. Apenas um número limitado de empregadores pediu para consultá-la e não é claro quem paga o quê. Ainda que devessem ser os empregadores.

A propagação do novo coronavírus em Itália obrigou o governo a procurar soluções para um problema de longa data mas a questão pode estar longe de estar resolvida.

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