EventsEventos
Loader

Find Us

FlipboardLinkedin
Apple storeGoogle Play store
PUBLICIDADE

Testemunho em primeira mão de um refugiado

Testemunho em primeira mão de um refugiado
Direitos de autor AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De  euronews
Partilhe esta notíciaComentários
Partilhe esta notíciaClose Button
Copiar/colar o link embed do vídeo:Copy to clipboardCopied

Um refugiado afegão que conseguiu escapar de Cabul e já se encontra a salvo em Itália fala dos desafios que enfrentou para sair do país

PUBLICIDADE

Multidões descontroladas, desespero e filas intermináveis no exterior do aeroporto de Cabul continuam a marcar o quotidiano no Afeganistão.

Muitos aguardam há dias por um lugar num voo com destino algures no ocidente.

M. é um refugiado afegão que prefere não ser identificado. Ele é um dos que conseguiu escapar de Cabul e já se encontra a salvo em Itália. Nos últimos anos, M. trabalhou para instituições e empresas italianas o que significa que corre perigo de vida sob o regime talibã.

"Disse à minha família que tínhamos que partir para o aeroporto e que as nossas vidas estavam em perigo. Disse-lhes que se os Talibã me apanhassem me matavam pois havia trabalhado para os italianos e para a embaixada italiana. Não deixei nada em casa, queimei tudo... todos os meus papéis", afirma este refugiado.

M. e a família fugiram deixando tudo para trás. Uma vez no aeroporto teve que esperar três dias.
Ele não queria partir sem a mulher e os filhos.

Ele recorda tudo aquilo por que ele e a família passaram.

"As pessoas começaram a juntar-se no portão principal. A dada altura, a minha mulher já não conseguia controlar a minha filha, foi por isso que ela caiu ao chão. A multidão pisou-a mas felizmente não sofreu ferimentos. No dia seguinte, tiveram que esperar horas ao sol sem beber e comer, foi então que os meus outros filhos desmaiaram", adianta M.

M. é originário de Panjshir, o último reduto contra o regime Talibã. Outra razão para M. e a sua família se sentirem ameaçados caso os Talibã descubram a sua identidade. Os seus pais ainda lá vivem.

“Se um dia eles capturarem os meus pais e os ameaçarem de morte caso eu não regresse ao país, eu regressaria para lhes poupar as vidas. Não tenho medo de morrer", defende M.

Para muitos, a retirada do Afeganistão tornou-se uma corrida contra o tempo.

Pangea é uma organização sem fins lucrativos que desde o início do ano 2000 apoia os direitos das mulheres no Afeganistão. Agora trabalham dia e noite para retirarem os funcionários e os civis retidos no país.

"As multidões no exterior do aeroporto estão em estado de choque. Eles precisam de ajuda e ligam-nos por telefone. Nós oferecemos apoio psicológico para os fazer reagir e evitar que desistam facilmente. Costumamos dizer-lhes que vão conseguir ou então para fugirem", adianta Luca Lopresti, presidente da Pangea Onlus.

Esta organização já ajudou dezenas de milhares de mulheres no Afeganistão e esperam agora que os progressos realizados ajudem a lutar contra o novo regime talibã em Cabul.

Partilhe esta notíciaComentários

Notícias relacionadas

Líderes do G7 reúnem-se online para falarem da crise no Afeganistão

Três turistas espanhóis mortos a tiro no Afeganistão

Afegãos procuram sobreviventes após as inundações que causaram centenas de mortos