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Covid-19 agrava cremações na Ucrânia

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De  Francisco Marques
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Pessoal médico prepara caixão para uma pessoa que morreu com Cocid-19
Pessoal médico prepara caixão para uma pessoa que morreu com Cocid-19   -   Direitos de autor  Evgeniy Maloletka/AP

As cremações na Ucrânia duplicaram nos últimos dois meses em comparação com os números registados durante o verão e este agravamento está relacionado com a epidemia de Covid-19.

A Ucrânia é um dos países europeus com mais baixa taxa de vacinação, apenas 20% da população está totalmente protegida contra uma infeção grave pelo SARS-CoV-2, e isso tem-se refletido nos hospitais e nos cemitérios, onde as vítimas da Covid-19 são cremados devido ao perigo de contágio.

O porta-voz do crematório de Kiev contou à France Press que, "até agora, comparado com o verão, o número de procedimentos duplicou" . "No verão, tínhamos uma média de 60 cremações. Agora são entre 100 e 120", estima Andrey Yashchenko.

De facto, de acordo com a AFP, em agosto houve 1.400 cremações em Kiev, mas durante o mês de outubro, realizaram-se mais de 2.800, incluindo 600 de pessoas que morreram com Covid-19.

Devido ao receio de contágio, os velórios tiveram de decorrer com o caixão fechado, mas mesmo assim, nas filas de espera não parece haver grande receio deste coronavírus.

Olga Dmitrishina é economista e perdeu recentemente um familiar com Covid-19. Socorre-se do ambiente à sua volta para explicar à equipa de reportagem a falta de cuidado de quem espera o funeral do ente querido.

"Veja atrás de mim. Quantos estamos aqui? As pessoas nem mantêm espaço entre elas. Há um grande perigo de contrair o vírus estando aqui na fila de espera. Metade dos familiares das pessoas que aqui estão à espera do funeral morreram infelizmente com Covid-19. Como a nossa avó", lamenta Olga Dmitrishina.

Com uma média diria a sete dias a rondar as 20 mil infeções e mais de 650 mortes no quadro da Covid-19, esta segunda-feira a Ucrânia registou o segundo maior número de mortes diárias no quadro da pandemia, 442, só atrás da Rússia, que sofreu mais de 1.200 óbitos. E estes são os números de fim de semana, habitualmente mais baixos.

Outras fontes • AFP