Quando vai a guerra acabar? Resposta a várias questões sobre o conflito na Ucrânia

Guerra pode prolongar-se por tempo indefinido
Guerra pode prolongar-se por tempo indefinido Direitos de autor AFP
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De  Katherine Berjikian
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A Euronews pediu a vários peritos indicações sobre quais os próximos capítulos no conflito ucraniano, quando se assinala um ano sobre o início da invasão russa.

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Quando a Rússia lançou a sua invasão total da Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, o mundo assistiu em estado de choque. A expectativa era que as forças russas invadissem a capital numa questão de dias.

Em vez disso, durante o ano passado, as forças ucranianas empurraram de forma consistente e bem-sucedida as tropas invasoras.

Mas essas vitórias tiveram um custo elevado: milhares de pessoas morreram, mais de 8 milhões de pessoas fugiram para a Europa e as tensões entre a NATO e Moscovo aumentaram.

Um ano após o conflito, respondemos a algumas das perguntas mais frequentes sobre a guerra.

Quando terminará a guerra na Ucrânia?

Durante o ano passado, a Rússia tomou, por vezes, temporariamente o controlo de grandes extensões do território ucraniano. As forças ucranianas recuperaram com sucesso grande parte dela. Mas isto pode significar que a guerra "está aqui para ficar", pelo menos no futuro imediato, de acordo com Mathieu Droin, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais: "Podemos ver que a situação militar está bastante estagnada no terreno. Ambos os países estão convencidos de que ainda podem prevalecer militarmente", diz.

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Andrew Cottey, professor no Departamento de Governo e Política no University College Cork, deu à Euronews três conclusões possíveis para a guerra.

  • A hipótese mais otimista da perspetiva de Kiev é que as forças ucranianas avancem com sucesso para Mariupol na costa do Mar Negro, cortando as forças russas da parte sul do país. A mudança "colocaria também a Crimeia em risco e, potencialmente, poderíamos assistir a um colapso das forças russas e a Ucrânia poderia efetivamente vencer", diz.
  • Outra opção seria um impasse militar, prolongando a guerra até, pelo menos, ao próximo ano.
  • A previsão final é não haver nenhuma conclusão. "Um longo cenário de guerra, por vezes descrito como uma espécie de conflito congelado em que há algum tipo de cessar-fogo ou armistício, mas o conflito fica por resolver".
AP Photo
Soldado ucraniano ajuda camarada ferido, na região de KharkivAP Photo

A Ucrânia vai aderir à NATO?

Antes da invasão total da Ucrânia pela Rússia, Kiev já era um parceiro ativo da NATO, tendo enviado tropas para o Afeganistão durante a missão da aliança no país.

Desde fevereiro de 2022, a relação tem vindo a fortalecer-se rapidamente: "É evidente que o conflito está a aproximar muito mais a Ucrânia da NATO, porque a aliança pode não estar a colocar os seus soldados na Ucrânia, mas os membros estão a colocar lá todos os seus tanques, porta-aviões blindados, sistemas antiaéreos e artilharia para a ajudar a resistir", disse Jamie Shea, um antigo Secretário-Geral Adjunto da NATO, à Euronews.

A NATO não coloca soldados na Ucrânia, mas coloca tanques, porta-aviões blindados, sistemas antiaéreos e artilharia.
Jamie Shea
Ex-secretário-geral adjunto da NATO

A plena adesão à NATO garantiria à Ucrânia um grau muito mais elevado de proteção contra a Rússia - o que uma simples parceria por nunca faria.

Um dos aspetos-chave da NATO é o Artigo 5º: um ataque a um Estado membro é um ataque a todos. Isto significa que, no caso de um ataque a um Estado-membro, todos os outros membros da aliança ajudariam a defendê-lo.

Martin Meissner/AP
Tanque Leopard 2 em exercícios militaresMartin Meissner/AP

A NATO também mandata que os países que pretendam aderir não podem ter litígios territoriais por resolver dentro das suas fronteiras. "A adesão da Ucrânia à NATO é altamente improvável enquanto a guerra durar", diz Droin: "Isso significa que enquanto houver tropas russas no solo da Ucrânia, a adesão obrigaria a NATO e a Rússia a confrontarem-se diretamente entre si no país".

A adesão da Ucrânia à NATO é altamente improvável enquanto a guerra durar
Mathieu Droin
Perito - Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais

Apesar disto, argumenta Shea, a adesão da Ucrânia à NATO está "a tornar-se cada vez mais provável, mesmo que tal não vá acontecer no futuro mais próximo".

Isto porque milhares de milhões de euros de ajuda militar que os membros da NATO deram à Ucrânia durante o ano passado transformaram as suas forças armadas num "exército da NATO em termos do padrão da aliança e do seu equipamento".

"A NATO não pode manter a Ucrânia numa espécie de sala de espera permanente, dizendo sim, em princípio, à adesão, mas nunca fixando uma data", acrescenta Shea.

Podem os combates alastrar-se a outros países?

Muitos na comunidade internacional temiam que o conflito pudesse alastrar para fora das fronteiras da Ucrânia.

Mas à medida que os combates prosseguem, essa ideia parece progressivamente menos provável, apesar do que Droin chama "erros de cálculo", tais como um míssil que atingiu a Polónia em novembro. Porque, acrescenta, uma escalada na Europa não é do interesse de ninguém: "É justo dizer que ninguém quer isso. De momento, não é do interesse da Rússia e não é do interesse da NATO. Portanto, há linhas acordadas em que os conflitos devem permanecer dentro das fronteiras da Ucrânia", diz.

AFP
Em novembro de 2022, a queda de um míssil matou duas pessoas na PolóniaAFP

No entanto, argumenta, pode haver mais "ataques ou ciberataques híbridos" fora da Ucrânia.

No início deste mês, o Presidente da Moldávia, Maia Sandu, relatou que o Kremlin estava a planear um potencial golpe de estado dentro das suas fronteiras. Uma acusação que Moscovo negou.

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A guerra pode alastrar, segundo Cottey, se a Rússia utilizar armas nucleares na Ucrânia.

"Se a Rússia utilizar armas nucleares, o Ocidente pode então envolver-se diretamente na guerra na Ucrânia em termos de colocar forças no país e, obviamente, esse é um cenário muito preocupante. Mas muitos analistas pensam que é razoavelmente improvável. Não seria necessariamente útil militarmente para a Rússia, e teria toda uma série de consequências muito negativas para Moscovo", acrescenta.

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