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"Apenas Deus está connosco, mais ninguém, porque nós somos palestinianos"

O Hospital Nasser foi o destino de muitos feridos e mortos atingidos no hospital Ahli Arab
O Hospital Nasser foi o destino de muitos feridos e mortos atingidos no hospital Ahli Arab Direitos de autor AP Photo/Fatima Shbair
Direitos de autor AP Photo/Fatima Shbair
De  Nebal Hajjo
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A Euronews, no Hospital Nasser, onde o medo e a ansiedade reinam após a tragédia de terça-feira no Ahli Arab

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Com as bombas a cair constantemente por toda a Faixa de Gaza há já 11 dias, os residentes neste enclave palestiniano controlado pelo Hamas desde 2007 têm procurado refúgio nos hospitais e nas escolas transformadas em abrigos para refugiados pelas Nações Unidas. Mas algo mudou terça-feira.

A ideia de que estes eram os locais mais seguros na faixa cercada por Israel desde que foi lançada a contraofensiva hebraica ao ataque de 7 de outubro do Hamas mudou com a queda de uma bomba no Hospital Ahli Arab, que terá feito pelo menos 471 mortos, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza.

Agora, os hospitais ainda são locais de refúgio no enclave, mas o sentimento de segurança dos palestinianos de Gaza mudou.

Medo e ansiedade

Longe do hospital Ahli Arab, bombardeado na terça-feira, e perto de Khan Younis, no sul do enclave, o correspondente da Euronews na Faixa de Gaza, Nebal Hajjo, pôde sentir o medo e a ansiedade de quem se tenta abrigar no Hospital Nasser, uma das unidades para onde foram transportados muitos dos feridos e pelo menos 50 mortos do hospital atingido terça-feira na Cidade de Gaza.

"Somos civis. Não executamos quaisquer operações militares. Porque nos estão a tentar eliminar com mísseis? Aqui, só há crianças, mulheres, famílias", diz-nos Ibrahim Kodeih, um residente da Cidade de Gaza, que fugiu para o sul da Faixa.

Youssef Abu Ati, também residia em Gaza e agora assume ter "medo que ataquem os hospitais". 

"Isto está muito longe da misericórdia e da Humanidade. Eles são o inimigo. O que vai acontecer a seguir? Apenas Deus está connosco, mais ninguém, porque nós somos palestinianos", lamenta Youssef Abu Ati.

O diretor geral adjunto dos hospitais, lamentando o sucedido no Ahli Arab e considera que "qualquer hospital que pare de trabalhar significa um desastre" para Gaza.

"Não sabemos para onde enviar os feridos. Estamos a trabalhar com medo de depois sermos atingidos", acrescenta Issa Al-Najjar.

Troca de acusações

Israel assegura que, ao contrário do Hamas, não ataca civis, mas o número de mortos, incluindo crianças, continua a subir na Faixa de Gaza, território palestiniano bloqueado pelas forças israelitas, sem abastecimento de bens essenciais e alvo de constantes bombardeamentos há 11 dias.

Sobre a tragédia no hospital Ahli Arab, em Gaza, as Forças de Defesa Israelitas (IDF) acusam a Jiad Islâmica Palestiniana pelo ocorrido, tendo apresentado um vídeo de satélite e uma gravação aúdio, que dizem ser provas do lançamento falhado de um rocket para Israel, mas que acabou por cair uma escassa centenas de metros depois, no estacionamento do hospital.

Seja quem tenha sido o responsável, as clínicas e os centros médicos continuam a ser apontados como dos locais mais seguros para quem sobrevive e tenta sobreviver na Faixa de Gaza, à espera da já há três dias iminente operação militar coordenada por terra, mar e ar das IDF.

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