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Guerra Israel-Hamas suspende futebolista do Nice e provoca revoltas no mundo árabe

Youcef Atal, num jogo do Nice, e os protestos anti-Israel na capital do Egito
Youcef Atal, num jogo do Nice, e os protestos anti-Israel na capital do Egito Direitos de autor AP Photo/Daniel Cole, Arquivo//Amr Nabil
Direitos de autor AP Photo/Daniel Cole, Arquivo//Amr Nabil
De  Francisco Marques
Publicado a Últimas notícias
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Youcef Atal fez publicação considerada apelo à violência antissemita e Nice não perdoou. Em diversas capitais árabes, fez-se sentir a "raiva" pelo bombardeamento de um hospital

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O clube de futebol Nice anunciou a suspensão do internacional argelino Youcef Atal devido a uma publicação nas redes sociais de "apologia do terrorismo" no âmbito da guerra entre Israel e o Hamas.

O futebolista até apagou rapidamente a publicação e pediu desculpa, mas o clube do sul de França decidiu tornar a sanção "imediata" de forma a antecipar-se às que poderiam vir a ser aplicadas pelas instâncias desportivas e judiciais "dada a natureza da publicação e a sua gravidade".

"A reputação e a união do OGC Nice resultam do comportamento de todos os seus colaboradores, que deve de estar em conformidade com os valores defendidos pela instituição", argumentou o clube.

Youcef Atal partilhou no Instagram o vídeo de um pregador que manifesta preocupação pelos civis de Gaza, parece tecer comentários antissemitas, apelos à violência, na forma de "um dia negro para os judeus".

Na segunda-feira, o procurador de Nice, a pedido dos presidentes da região dos Alpes Marítimos e da câmara daquele município, abriu um inquérito por "apologia do terrorismo" e "incitamento ao ódio ou à violência com base numa religião em particular".

"Quando se é um jogador famoso com três milhões de seguidores nas redes sociais, não só não se está acima da lei, como também se tem o dever moral de dar o exemplo", afirmou o autarca regional Hughes Moutouh ao jornal "Nice Matin", esta quarta-feira, acrescentando: "A difusão de vídeos que incitam ao ódio não é aceitável".

A outro nível, o ministro do Interior de França criticou o internacional francês de origem argelina Karim Benzema devido a uma publicação do agora jogador dos sauditas do Al-Ittihad em que este oferecia "todas as orações pelos habitantes de Gaza, vítimas mais uma vez destes bombardeamentos injustos que não poupam nem mulheres nem crianças".

"Todos sabemos que Karim Benzema tem ligações notórias com a Irmandade Muçulmana", afirmou Gérald Dermain, em declarações ao canal "CNews".

A Argélia, entretanto, decidiu suspender todos os eventos de futebol "até nova ordem", em solidariedade com o povo palestiniano.

"Expressando a sua solidariedade para com o povo irmão da resistência palestiniana e respeitando a memória dos veneráveis e gloriosos mártires que foram vítimas da agressão sionista, (...) a FAF decidiu suspender todas as competições e jogos de futebol até nova ordem", lê-se num comunicado da federação argelina.

Mundo árabe revoltado

Milhares de pessoas do mundo árabe manifestaram a revolta em diversos países contra o bombardeamento de um hospital de Gaza, esta terça-feira, em que terão morrido cerca de 500 pessoas.

A Autoridades Palestiniana e o Hamas acusam Israel pelo trágico bombardeamento, descartando a alegação de Telavive de que teria sido um disparo falhado da Jiad Islâmica Palestiniana, outro grupo armado sediado na Faixa de Gaza e também considerado terrorista pela União Europeia.

O Hamas apelou mesmo a "um dia de cólera" no mundo árabe e nas capitais da Jordânia, da Tunísia, da Síria e do Líbano, entre outras, muitos muçulmanos responderam à chamada.

Em Amã, cerca de cinco mil pessoas juntaram-se diante da Embaixada de Israel para pedir a expulsão da missão diplomática judaica devido ao alegado ataque contra o hospital de Gaza.

As forças de segurança jordanas tiveram de bloquear as ruas em torno da embaixada perante as ameaças de tentativa de invasão pelos manifestantes revoltados.

Em Tunes, o alvo dos protestos foi a embaixada de França, onde condenaram o apoio da União Europeia a Israel, mas também a zona em redor da representação dos Estados Unidos foi palco de protestos.

Os organizadores indicaram haver manifestações noutras cidades tunisinas onde as bandeiras palestinianas também marcavam a revolta contra Israel.

No Líbano, paíse que se pode ver arrastado para uma guerra com Israel pelo Hezbollah, centenas de pessoas responderam ao apelo do grupo xiita paramilitar também considerado terrorista pela União Europeia, e aliado do Hamas e do Irão.

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"O que está a contecer em Gaza não é um conflito nem uma guerra. Estão a ser cometidos massacres em série", acusou Hashem Safieddine, um alto responsável do Hezbollah, citado pela France Press.

Safieddine avisou ainda que "os israelitas vão tentar atingir, sem pestanejar, mais hospitais, paramédicos, socorristas e habitantes de Gaza para os tentar expulsar.

Em Damasco, centenas de pessoas empunharam bandeiras palestinianas e camisolas com a fotografia do Presidnete Bashar al-Assad numa concentração junto ao parlamento sírio.

Também no Egito, várias cidades foram palco de manifestaçoes que o governo liderado pelo general Al-Sissi não costuma autorizar.

Outras fontes • AFP

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