Soldados ucranianos aprendem novas táticas e a usar armas modernas na UE

Infantaria ucraniana aprende novas tácticas e a usar armas modernas em França
Infantaria ucraniana aprende novas tácticas e a usar armas modernas em França Direitos de autor AP Photo/Laurent Cipriani
De  Francisco Marques
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Missão europeia de ajuda militar à contraofensiva da Ucrânia perante a invasão russa envolve mais de 35 mil soldados e Portugal ajuda pelos ares

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Um ano e meio após o início da invasão militar russa, os soldados da Ucrânia estão agora a preparar-se com novo armamento e a aprender novas técnicas de combate para reforçar a contraofensiva à ocupação pelas forças afetas ao Kremlin, que há um ano tentou anexar unilateralmente quatro regiões do leste ucraniano.

Num campo de treino militar em França, um grupo de soldados ucranianos foi filmado a obedecer a ordens em francês, com apoio de um tradutor.

Do outro lado, o inimigo tentava dificultar-lhes ao máximo os movimentos, mas neste combate ninguém morre no fim. As balas são de pólvora seca e o inimigo do outro lado das trincheiras é na verdade a tropa francesa.

Este exercício faz uma formação militar de quatro semanas que em breve poderá ajudar a fazer a diferença no leste da Ucrânia, onde se está prestes a entrar no segundo inverno de guerra com a Rússia, de Vladimir Putin.

"O papel de França nestes programas de formação é precisamente o de treinar o uso das armas e equipamentos que estão a ser cedidos, mas não só. Serve também para partilhamos a nossa doutrina ocidental", explicou o tenente coronel francês Even, o chefe do destacamento de parcerias militares operacionais.

Com a linha da frente da guerra com a Rússia prestes a congelar uma vez mais, a Ucrânia tenta desenvolver novas táticas e aproveitar ao máximo o armamento mais moderno que tem vindo a receber do ocidente para substituir as cada vez mais obsoletas armas soviéticas com que ainda equipava o exército antes da invasão.

"O ponto chave para nós é, sobretudo, o de ensinar às tropas aliadas a forma de manobrarem, de se posicionarem no terreno e de confrontarem os objetivos evitando fogo amigo. Esse é o verdadeiro ponto chave, sobretudo num terreno complexo como esta rede de trincheiras que se dividem em várias direções", acrescentou, por seu turno, o capitão Michel, um dos militares franceses que supervisionam o exercício dos parceiros ucranianos.

Por questões de segurança, os militares franceses que participam nestas formações apenas foram identificados pela patente e pelo primeiro nome.

A França tem sido um dos membros da NATO e da União Europeia empenhados no apoio militar direto à Ucrânia e está a caminho, só este ano, de ter ajudado cerca de 7 mil soldados ucranianos, no âmbito de um programa de apoio militar que incluiu campos de treino também na Polónia, em condições climatéricas e não só mais aproximadas ao que se encontra no leste da Ucrânia.

Portugal fornece apoio no uso dos F-16

A missão de formação militar da União Europeia tinha previsto ajudar 15 mil soldados, mas o objetivo foi largamente ultrapassado e deve chegar aos 35 mil até final deste ano.

Somente três dos 27 Estados-membros da União europeia não forneceram formação nem instrutores, esclareceu a Comissão Europeia. Portugal participa na missão, fornecendo formação a pilotos e mecânicos ucranianos para poderem operar os aviões de caça F-16.

Os Estados Unidos deram formação a cerca de 18 mil soldados, a maioria na Alemanha, e devem somar-lhes mais mil soldados, previu o Pentágono.

O Reino Unido diz ter dado formação a cerca de 30 mil soldados ucranianos nos últimos 17 meses, num programa que o governo britânico diz não ter precedentes desde a II Guerra Mundial.

Outras fontes • AP, AFP

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