Porto de Trieste vai resistindo ao impacto dos ataques dos Houthis no Mar Vermelho

O porto de Trieste é uma das principais plataformas logísticas na região do Mediterrâneo
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O porto de Trieste já sente os impactos dos ataques do rebeldes do Iémen no Mar Vermelho, mas ainda assim vai resistindo. Contudo, as autoridades não sabem durante quanto tempo isso será possível.

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Há apenas algumas semanas, as docas no porto de Trieste, no nordeste da Itália, não tinham a fraca movimentação de agora. Esta é uma das principais plataformas logísticas na região do Mediterrâneo, que tem sentido o impacto dos ataques dos rebeldes Houthis no Mar Vermelho.

Cerca de 40% das atividades de exportação e importação de Itália costumavam passar pelo Canal de Suez, mas a circulação através dessa rota está agora reduzida a quase metade.

O porto depende sobretudo do comércio internacional, uma vez que conta com o melhor acesso ferroviário para o resto da Europa.

"Ao nível do abastecimento dos navios não é percetível. É evidente que tivemos um hiato de duas semanas, pois as embarcações que deveriam passar pelo Canal de Suez tiveram que percorrer todo o caminho através da África. Mas a partir de agora chegarão com a mesma frequência de antes", diz Zeno D'Agostino, presidente do Porto de Trieste e presidente da Organização dos Portos Marítimos Europeus (ESPO, na sigla inglesa).

"Agora, cabe ao mercado, cabe ao cliente decidir. Só para dar um exemplo, temos ligações ferroviárias diárias com Budapeste. Os clientes estrangeiros ficarão conosco ou escolherão um porto diferente como Hamburgo?", acrescenta.

O aumento do número de navios, devido às rotas mais longas, resolveu parcialmente o problema. Mas as autoridades estão preocupadas com os cenários a longo prazo e temem que Trieste e este canto do Mediterrâneo possam ficar parcialmente isolados do comércio mundial.

"Estamos preocupados principalmente com o que pode acontecer a médio e longo prazo. Este porto tem competido com os portos do Norte da Europa e conseguiu conquistar o mercado porque estamos do outro lado do Canal de Suez, então todos no negócio perceberam que a partir daqui a distância entre a Europa e a Ásia é muito menor", explica Zeno D'Agostino.

A Associação Nacional do Setor Portuário (ANCIP, na sigla italiana) foi a primeira a fazer soar os alarmes.

"Penso que o governo e as instituições estão agora plenamente conscientes da gravidade da situação. Estamos a falar de uma questão de segurança importante, que diz respeito ao Estado italiano como um todo. Os portos, de facto, representam o ativo mais estratégico do país", sublinha Gaudenzio Parenti, diretor-geral da ANCIP.

Os Estados Unidos e o Reino Unido lançaram dezenas de ataques aéreos em todo o Iémen contra os Houthis em retaliação pelos ataques a navios no Mar Vermelho. 

Mas, de acordo com analistas, os rebeldes iemenitas apoiados pelo Irão provavelmente não recuarão e, se os ataques persistirem, isso poderá transformar a situação num conflito regional cada vez mais amplo, com interrupções cada vez mais longas no comércio mundial.

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