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Putin: EUA "têm de parar de fornecer armas" à Ucrânia

Sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024, o Presidente russo Vladimir Putin gesticula enquanto fala durante uma entrevista com o antigo apresentador da Fox News, Tucker Carlson.
Sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024, o Presidente russo Vladimir Putin gesticula enquanto fala durante uma entrevista com o antigo apresentador da Fox News, Tucker Carlson. Direitos de autor Gavriil Grigorov/Sputnik
Direitos de autor Gavriil Grigorov/Sputnik
De  Joshua Askew com AP
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Artigo publicado originalmente em inglês

O Ocidente nunca conseguirá infligir uma "derrota estratégica" à Rússia na Ucrânia, avisou o presidente russo.

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Vladimir Putin disse ao antigo apresentador da Fox News, Tucker Carlson, que Washington deveria reconhecer os interesses de Moscovo e persuadir a Ucrânia a sentar-se para conversações.

O presidente russo disse ainda acreditar que é possível chegar a um acordo para libertar o jornalista norte-americano Evan Gershkovich, detido na Rússia em março passado.

É a primeira vez que Putin se senta com um "jornalista" ocidental em entrevista desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em 2022.

O líder russo repetiu várias justificações sobre o conflito, incluindo que era necessário proteger os falantes de russo na Ucrânia e evitar que o país representasse uma ameaça para a Rússia ao aderir à NATO.

A entrevista foi um grande furo para o comentador de direita e apoiante de Donald Trump. Carlson tem criticado frequentemente o apoio dos EUA à Ucrânia, referindo-se a Volodymyr Zelenskyy como um "proxeneta ucraniano" e um "rato".

Friday, Feb. 9, 2024, Russian President Vladimir Putin, right, gestures as he speaks during an interview with former Fox News host Tucker Carlson.
Friday, Feb. 9, 2024, Russian President Vladimir Putin, right, gestures as he speaks during an interview with former Fox News host Tucker Carlson.Gavriil Grigorov/Sputnik

A decisão de entrevistar Putin foi amplamente criticada, com Tucker Carlson a afirmar falsamente que nenhum jornalista ocidental se tinha "dado ao trabalho" de falar diretamente com Putin.

Na verdade, jornalistas afirmaram que têm tentado entrevistar o presidente russo desde o início do conflito, mas sem sucesso.

Putin parece, com esta aparição nas redes sociais, beneficiar da exposição a um público mais vasto nos EUA, onde o cansaço da guerra está a aumentar e os esforços para garantir mais ajuda a Kiev estagnaram no Congresso norte-americano.

O número um da Rússia passou mais de meia hora a apresentar a história da Rússia, da Lituânia, da Polónia e da Ucrânia, um monólogo que se estendeu desde o domínio de Oleg, o Sábio, no século IX, até uma crítica à política externa de Lenine.

No entanto, a maior parte da entrevista centrou-se na Ucrânia, onde a guerra está a aproximar-se da marca dos dois anos.

Putin referiu-se à recusa de Zelenskyy em manter conversações com o Kremlin. O presidente russo argumentou que cabe a Washington deixar de fornecer armas à Ucrânia e convencer Kiev - a que chamou "satélite" dos EUA - a sentar-se para negociar.

"Nunca recusámos negociações", disse Putin. "Deviam dizer à atual liderança ucraniana para parar e sentar-se à mesa das negociações".

A maioria dos ucranianos continua empenhada na guerra e quer ver as forças russas retiradas do seu território, de acordo com uma sondagem da Gallop.

Não é claro como se poderia negociar o fim da guerra sem ceder partes do sul e do leste da Ucrânia à Rússia - algo a que os ucranianos se opõem.

Putin avisou que o Ocidente nunca conseguirá infligir uma "derrota estratégica" à Rússia na Ucrânia e rejeitou as alegações de que a Rússia teria planos para atacar a Polónia ou outros países da NATO.

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O porta-voz da segurança nacional da Casa Branca, John Kirby, tentou minimizar o impacto da entrevista de Carlson antes da sua publicação: "Lembrem-se, estão a ouvir Vladimir Putin. E não devem dar como certo o que ele tem a dizer".

Libertação de jornalistas norte-americanos em cima da mesa

Putin limitou fortemente o seu contacto com os meios de comunicação internacionais desde que lançou a guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022.

Entretanto, as autoridades russas reprimiram os meios de comunicação social independentes, obrigando ao encerramento de alguns meios de comunicação social russos, bloqueando outros e ordenando que vários repórteres estrangeiros abandonassem o país.

Dois jornalistas que trabalham para organizações noticiosas norte-americanas - Evan Gershkovich, do Wall Street Journal, e Alsu Kurmasheva, da Radio Free Europe - estão detidos.

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Evan Gershkovich is escorted from the Lefortovsky court after the hearing in Moscow, Russia, Friday, Jan. 26, 2024.
Evan Gershkovich is escorted from the Lefortovsky court after the hearing in Moscow, Russia, Friday, Jan. 26, 2024.Alexander Zemlianichenko/Copyright 2024 The AP. All rights reserved

Questionado por Carlson sobre a possibilidade de a Rússia libertar Gershkovich, Putin disse que Moscovo está aberto a conversações, mas repetiu que o repórter foi acusado de espionagem, uma acusação que Gershkovich negou.

"Ele foi apanhado em flagrante quando estava a obter secretamente informações confidenciais", disse Putin sobre Gershkovich, acrescentando que não exclui a possibilidade de o repórter regressar a casa.

"Não há tabu para resolver esta questão", disse Putin. "Estamos prontos a resolvê-la, mas há certas condições que estão a ser discutidas entre os serviços especiais. Acredito que se possa chegar a um acordo".

Putin referiu-se a um homem preso num "país aliado dos EUA" por ter "liquidado um bandido" que matou soldados russos durante os combates no Cáucaso: "Colocou os nossos soldados prisioneiros numa estrada e depois passou com um carro por cima das suas cabeças. Houve um patriota que o liquidou numa das capitais europeias".

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Putin não mencionou nomes, mas pareceu referir-se a Vadim Krasikov, um russo que está a cumprir uma pena de prisão perpétua na Alemanha depois de ter sido condenado pelo assassinato à luz do dia, em 2019, de Zelimkhan "Tornike" Khangoshvili, um cidadão georgiano de 40 anos de idade, de etnia chechena.

Os juízes alemães que condenaram Krasikov disseram que ele agiu sob as ordens das autoridades federais russas, que lhe forneceram uma identidade falsa, um passaporte falso e os recursos para realizar o ataque.

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