Programa Alimentar Mundial suspende distribuição da ajuda alimentar no norte de Gaza

"Caos e violência" no norte da Faixa de Gaza não permite distribuição de ajuda alimentar
"Caos e violência" no norte da Faixa de Gaza não permite distribuição de ajuda alimentar Direitos de autor Fatima Shbair/Copyright 2024 The AP. All rights reserved
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Programa Alimentar Mundial suspendeu de novo a distribuição de ajuda no norte da Faixa de Gaza. Pausa acontece depois de ajuda ter sido retomada no domingo e os camiões terem sido "pilhados" ou atingidos por disparos.

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O Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas anunciou uma nova suspensão da distribuição de ajuda no norte da Faixa de Gaza.

Um porta-voz da agência da ONU disse que a decisão não foi tomada de ânimo leve, mas justificou que a segurança daqueles que fazem a entrega da ajuda não estava a ser garantida, perante o "caos e violência" no território.

O PAM tinha já suspendido há três semanas o envio de ajuda alimentar no norte de Gaza, assolado por mais de quatro meses de guerra, após um ataque israelita contra um camião de uma outra agência da ONU. A distribuição de ajuda foi retomada no domingo, mas os camiões foram "pilhados" ou atingidos por disparos, indicou a agência.

A pausa na distribuição de alimentos acontece num contexto de alarmante escassez alimentar e galopante malnutrição. De acordo com o relatório "Vulnerabilidade Nutricional e Análise da Situação – Gaza", realizado pela Global Nutrition Cluster e divulgado pela UNICEF, uma em cada seis criançasem Gaza está gravemente desnutrida.

"Cada vez que uma família é deslocada, fica cada vez mais desesperada. Perdem um pouco mais de resistência. E isso é realmente algo a ter em conta quando estamos tão preocupados com a ameaça de fome na Faixa de Gaza. Sabemos que não podemos chegar a toda a gente neste momento. É impossível chegar ao norte", declarou Matthew Hollingworth, diretor do PAM para a Palestina.

Depois de o Hospital Nasser, o segundo maior em Gaza, ter ficado inoperacional, na sequência de um cerco israelita na última semana, a Organização Mundial de Saúde (OMS) enviou duas missões de salvamento para transferir 32 pessoas em estado crítico, incluindo duas crianças, do complexo hospitalar em Khan Younis, no sul de Gaza, que é agora o principal palco das hostilidades.

"Podemos pensar na pior situação de sempre. Multiplica-se por dez. E esta é a pior situação que já vi na minha vida. São os destroços. É a luz... a trabalhar na escuridão. Doentes por todo o lado", relata Julio Martinez, contacto de apoio operacional da OMS, a partir de Gaza.

Na frente diplomática os Estados Unidos vetaram novamente uma resolução da ONU que pedia um cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza. Em alternativa, Washington deverá apresentar uma proposta para um cessar-fogo temporário que assente em condições como a libertação de todos os reféns e o levantamento de restrições à entrada de ajuda humanitária em Gaza.

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